Crônica - Ausência do Negro na Mídia Externa Exibe a versão de impressão da página Retorna para a página anterior


Ausência do Negro na Mídia Externa

(*) Hélio Castro

           O presente trabalho aborda a ausência do negro nas campanhas de mídia externa. A etnia negra, historicamente marginalizada, tem que conviver com os estereótipos, estruturados principalmente no período pós-abolição. Essas construções acabam por se transformar em barreiras simbólicas para a inclusão social do negro e valorização de sua cultura. Os referenciais pejorativos, guardados no senso comum, acabam por influenciar as escolhas nas diversas possibilidades de publicidade ao ar livre. Como instância de construção simbólica, vislumbra-se a inclusão do negro na Publicidade como uma das medidas necessárias para a eliminação dos preconceitos étnicos e a possibilidade de conquista da cidadania plena pelos negros.      

           O negro é historicamente marginalizado na sociedade brasileira. Desde os primeiros tempos, do pós-abolição, foi excluído e teve sua cultura e imagem estereotipada, a fim de justificar o sistema de exploração que se instalou mesmo depois do período escravista. A Publicidade, por estar inserida dentro desta perspectiva social e por atender interesses do senso comum, trabalha com os mesmos referenciais, colocando o negro em segundo plano, ou mesmo omitindo sua existência.

           A comunicação visual é uma das principais áreas da Publicidade. No entanto, ainda não valoriza o negro como consumidor ativo e cliente potencial de produtos, serviços e marcas, justificando assim a exclusão étnica que, juntamente com uma série de barreiras simbólicas, impedem a inclusão no Brasil. Ao não avaliar a possibilidade do uso de negros em suas campanhas publicitárias, os agentes de propaganda e publicitários discriminam a etnia também na mídia.

            Portanto, a Ausência do Negro na Mídia Externa é um tema que, por um lado, registra a opção dos anunciantes e de agências publicitárias em não veicular a imagem dos negros nas suas peças ao ar livre. Por outro, serve para alertar contra o reforço simbólico dos estereótipos e mesmo da exclusão social do negro ocasionado pela adoção desta concepção hegemônica. A metodologia utilizada, para realização da pesquisa, constituiu-se de pesquisa bibliográfica em livros, revistas e sites, relacionada ao assunto.

           A presença de negros neste espaço acabaria por contrariar a percepção do senso comum, povoada pelos estereótipos. Com isso, concluímos que a mídia externa ainda não abriu espaço para a imagem do negro, mesmo que a etnia tenha atingido o status de consumidor ativo em função do desenvolvimento de uma classe média negra, principalmente nas últimas décadas. Também é possível se depreender que a publicidade mantém em si referenciais de uma unicultura eurocêntrica, desconsiderando em sua produção e veiculação as múltiplas etnias formadoras da população brasileira, principalmente o negro que compõe aproximadamente metade da população, como indicam as pesquisas. 

(*) Hélio Castro é publicitário e Graduando em Jornalismo e Assessor de Comunicação. Reside em Porto Alegre (RS)