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Xica da Silva: filme restaurado é relançado nesta terça em São Paulo

terça-feira, by Ascom

Fotos: Divulgação Cinemateca

Por Narla Aguiar e Débora Palmeira (Ascom/MinC)

O filme que conta com a primeira protagonista negra do cinema brasileiro está totalmente restaurado e será relançado será nesta terça-feira, 3 de maio, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. “Xica da Silva”, longa metragem de 1976 de Cacá Diegues, conta a trajetória de uma escrava que se tornou a primeira dama negra de nossa história, e fez parte do Programa de Restauro da Cinemateca Brasileira, do Ministério da Cultura. O lançamento contará com a presença da secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Santana. 

Segundo a coordenadora do Programa, Patrícia de Filippi, devido ao sucesso do filme, muitas cópias foram feitas. “Naquela época, infelizmente, não existia o hábito de se fazer materiais intermediários para reproduzir obras sem sacrificar o negativo original. Com a confecção de muitas cópias diretamente a partir do negativo, esse material estava muito riscado, apresentando rasgos e mutilações em alguns trechos”. 

PROGRAMA DE RESTAURO – O programa promove, graças ao patrocínio da Petrobras e por meio de convocação pública, a restauração de filmes produzidos nas bitolas de 35 mm ou 16 mm, em preto e branco ou em cores. Nesta segunda edição, foram contemplados 12 proponentes, com um total de 15 títulos (oito curtas e sete longas-metragens), tendo o trabalho de restauração começado em seguida à divulgação dos resultados, em junho de 2010. Xica da Silva, projeto convidado pela Cinemateca a participar do Programa, é o primeiro resultado deste trabalho. 

Quando todas as restaurações forem concluídas, será lançada uma caixa de DVDs, e o público poderá consultá-los no Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira. Além disso, o filme poderá ser visto em digital ou 35 mm, sob demanda, respeitados os direitos autorais e as condições técnicas de projeção, procedimento padrão da Cinemateca Brasileira. 

DEPOIMENTOS

Xica da Silva foi um de meus filmes que mais me deram alegria. Primeiro, durante as filmagens, pela química entre equipe e elenco, que tornou o trabalho de quase cinco meses, em Diamantina (MG), um prazer inesquecível. Depois, no lançamento do filme, pelo enorme sucesso que ele fez no Brasil e, em seguida, no exterior. Foi o primeiro filme da distribuidora da Embrafilme a obter uma bilheteria consagradora, que garantiu a boa partida da empresa na área da distribuição. 

Mas o mais importante é que este foi o filme que marcou a ‘abertura democrática’ no âmbito do cinema brasileiro. Em 1976, ano de seu lançamento, o presidente Geisel já tinha anunciado o projeto de uma abertura democrática ‘lenta, segura e gradual’, e o país começava a sair da longa noite escura da ditadura militar. Um ‘Xica da Silva’ alegre e otimista, um filme que ‘dava a volta por cima’, ajudava o cinema brasileiro a liderar esse novo clima cultural no país. 

Acho que aquela foi a primeira vez em que um filme brasileiro tinha, encabeçando seu elenco, uma atriz negra – e, até aquele momento, desconhecida. Lembro-me, inclusive, que um importante exibidor da época se negava a exibir o filme em seus cinemas porque, segundo ele, filme com negros não era comercial. O produtor Jarbas Barbosa insistiu com o grande lançamento que sonhara e acabou provando ao exibidor que ele estava errado. Só num cinema lançador, o Roxy – então, uma só sala com cerca de dois mil assentos –, ‘Xica’ ficou em cartaz por 11 semanas. Para esse sucesso, muito contribuiu a luz brilhante e mágica de Zezé Motta, sem a qual o filme não existiria, assim como seu personagem principal não seria lembrado como até hoje o é. 

A restauração desse filme, exatamente 35 anos depois de seu lançamento, é um presente que recebo como uma homenagem a todos que nele trabalharam, sobretudo a Jarbas Barbosa, que não está mais entre nós. Um país que preza sua cultura e seu passado tem que ter uma memória viva do que seus artistas fizeram de mais relevante. A restauração de ‘Xica da Silva’, realizada pela Cinemateca Brasileira, com a supervisão técnica de Carlos Magalhães, Patricia di Fillippi e do fotógrafo Lauro Escorel, só pode honrar o serviço prestado ao Brasil pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, os patronos dela.  

(Cacá Diegues, cineasta, diretor de ‘Xica da Silva’). 

Protagonizar o filme, na época, foi um grande desafio. Eu tinha pouca experiência em cinema, foi o meu terceiro filme. Um pouco antes, atuei em “Vai trabalhar, vagabundo”, de Hugo Carvana, mas não era um papel tão importante como o de protagonista de “Xica da Silva”. O personagem era muito complexo, pois além de ser um tema polêmico para a época – uma negra passar de escrava para rainha –, era uma protagonista negra, fato novo para o momento, e, nessa época, já havia certa preocupação com os papéis destinados aos negros. Em relação ao restauro da obra, é importante que o Ministério da Cultura cuide da preservação do cinema brasileiro, que já é reconhecido no mundo inteiro, e isso nos anima para produzir cada vez mais, e com mais qualidade. Zezé Motta, atriz, protagonista de “Xica da Silva”. 

SERVIÇO
O quê: Lançamento do filme Xica da Silva restaurado
Onde: Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Clementino. São Paulo-SP.
Quando: terça-feira, 03 de maio de 2011, 20 hs.
Observação: Sujeito à lotação da sala – 210 lugares.
Mais informações: (11) 3512-6111 / xicadasilva@cinemateca.org.br

Fotos: Divulgação Cinemateca


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