Emancipação política de Alagoas e avanços étnicos-raciais


Texto e foto: Helciane Angélica
Jornalista, presidente do Anajô e integrante da Cojira-AL
helci_angel@hotmail.com / (82) 8831-3231

Alagoas completou em 16 de setembro, o 191º aniversário de emancipação política do Estado. O segundo menor território do Brasil ocupa uma área de 27.767 km² e está situado na Região Nordeste.

Tem esse nome devido às muitas lagoas existentes no seu território. Porém, também é conhecida como “Terra dos Marechais”, porque os dois primeiros presidentes do país foram alagoanos (Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto). Outro termo, mais valorizado, é “Terra da Liberdade”, devido à importância do Quilombo dos Palmares e por ter abrigado a sede administrativa (Serra da Barriga) neste território.

A diversidade das belezas naturais, a riqueza cultural e o potencial histórico encontram-se distribuídos nos 102 municípios existentes. Além disso, alagoanos ilustres como Graciliano Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda, Théo Brandão, Jorge de Lima, Ledo Ivo, Linda Mascarenhas, Arthur Ramos, Jofre Soares, Vera Arruda, Djavan, Cacá Diegues, Hermeto Paschoal, Marta Vieira da Silva e Zumbi dos Palmares contribuíram, e ainda contribuem, na divulgação do que existe de melhor do Estado.

Entretanto, muitas ações ainda precisam ser efetuadas para transformar a realidade da população afro-alagoana. Conheça alguns avanços que merecem destaque:

* Instalação do Parque Memorial Quilombo dos Palmares – primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana das Américas – localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares.

* Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL), desenvolve a interlocução entre os segmentos afros e os meios de comunicação. Foi o primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnico-raciais no movimento sindical.

* Ponto de Cultura Quilombo Cultural dos Orixás, o primeiro ponto de cultura ligado a uma Casa de Axé no Brasil.

* Gerência Étnico Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte, realiza mensalmente encontros afro-alagoanos para educadores, estudantes e demais interessados.

* Gerência Afro-Quilombola da Secretaria Estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos – responsável em atender as demandas dos segmentos afros e garantir melhorias nas comunidades quilombolas.

* Alagoas possui 22 comunidades remanescentes de quilombo, com certidões de registro emitidas pela Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura.

* O governador Teotonio Vilela Filho sancionou a Lei nº 6.814/07, que estadualiza a Lei 10.639/03 para a inclusão da Históra e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar.

* Maceió já tem o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa de Matriz Africana, que será comemorado no dia 2 de fevereiro (Lei nº5.871/2008).

* Temos uma diversidade de grupos de capoeira no Estado, e duas instituições que se revezam na defesa dos direitos e propagação dessa importante manifestação afro-brasileira, são elas: Federação Alagoana de Capoeira (Falc) e Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas.

* Existe uma Comissão de Defesa das Minorias Étnicos Sociais na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL).

* Possui uma Pastoral da Negritude dentro de uma Igreja Batista, desenvolve a releitura da Bíblia a partir da ótica étnico-racial.

* A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) possui um convênio com o continente africano, fomenta o intercâmbio-cultural e o desenvolvimento dos países que falam o português. Tem vários acadêmicos oriundos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, e São Tomé e Príncipe.

* O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da UFAL desempenha um intenso trabalho de formação, pesquisa e fortalecimento da auto-estima dos alunos cotistas.

* Coluna Axé – Pela primeira vez no Estado de Alagoas, uma entidade (Cojira-AL) conquistou um espaço periódico para abordar a temática afro, implantada em maio de 2008, no Jornal Tribuna Independente. Publicada semanalmente (todas as terças-feiras) ocupa meia página colorida no formato standard, é preenchida com editorial, notas informativas e fotos.

* O Movimento Negro alagoano é diversificado. Possui grupos culturais em várias áreas, entidades de cunho político, religioso e de formação, que enfrentam as inúmeras dificuldades e lutam por mudanças sociais.

Os negros e negras que diariamente contribuem para o desenvolvimento sócio-cultural, econômico e anti-racista em Alagoas são os que verdadeiramente merecem as homenagens.

De |setembro 18th, 2008|Notícia|Comments Off on Emancipação política de Alagoas e avanços étnicos-raciais