A maior medalhista paralímpica do Brasil

Se participar de uma edição dos Jogos Paralímpicos já é difícil, imagine ser convocada para uma aos 14 anos de idade, apenas um ano após iniciar sua carreira como velocista. Mais ainda, conquistar duas medalhas de prata em sua primeira participação nos Jogos.

Bem, esses foram alguns dos feitos de Ádria Santos, mineira de Nanuque, nascida em 11 de agosto de 1974. Ádria nasceu com apenas 10% da visão, em decorrência da associação entre duas doenças que provocaram a degeneração de sua retina (retinose pigmentar e astigmatismo congênito), ficando completamente cega a partir de 1994.

Ádria Santos começou a treinar aos 13 anos, em 1987, na cidade de Belo Horizonte, no Instituto São Rafael, especializado em pessoas com deficiência visual. No ano seguinte, participou das Paralimpíadas de Seul (Coreia do Sul), alcançando o segundo lugar no pódio nas provas dos 100m e 400m rasos.

Em 1989, tornou-se mãe. Porém, a maternidade precoce não foi empecilho para que ela abandonasse sua brilhante carreira. A chegada de Bárbara, ao contrário, parece ter funcionado como impulso para novas conquistas.

Nos anos seguintes, Ádria Santos acumulou vitórias e recordes, especializando-se nas provas de 100, 200 e 400 metros rasos. Nas Paralimpíadas de Barcelona (1992), conseguiu a primeira medalha de ouro, nos 100m. Contudo, foi nos Jogos de Sidney (2000) que ela sagrou-se como a melhor para-atleta velocista do mundo, conquistando 2 ouros (100m e 200m) e uma prata (400m).

O ano de 2003 foi também de grandes conquistas para Ádria, que subiu no lugar mais alto do pódio em três ocasiões. Duas delas se deram no Mundial do International Blind Sports Federetion (IBSA), realizado em Quebec (Canadá), mais uma vez nos 100 e 200 metros. Nesse campeonato, a para-atleta ainda obteve a medalha de bronze nos 400m.

A terceira medalha de ouro daquele ano foi ganha no Mundial de Atletismo da Internactional Association of Atlhetics Federations (IAAF), ocorrido em Paris (França). Na ocasião, ela conseguiu pela segunda vez em um mundial ser a única, entre atletas brasileiros sem e com deficiência, a subir na parte mais alta do pódio. Ádria Santos ficou com a primeira colocação na prova dos 200m para cegos e deficientes visuais com o tempo de 25:22s, batendo assim o recorde da competição que foi conquistado por ela própria na edição anterior.

As Paralimpíadas de Atenas (2004) e de Pequim (2008) serviram para ratificar o posto de Ádria no panteão olímpico brasileiro. Com mais 4 medalhas, ela se tornou a maior medalhista paralímpica do Brasil, somando 13, no total.

Uma lesão no menisco, contudo, acabou a afastando de sua sétima participação em paralimpíadas. Não obstante, para não restar sem o brilho dessa grande atleta, a organização dos Jogos de Londres (2012) a escalou para o revezamento da tocha na cidade-sede.

Ádria participou de campeonatos ao lado de vários companheiros, os chamados guias, como Gerson Knittel e Jorge Luís, o Chocolate. O último deles foi Luiz Rafael Krub, com quem Ádria Santos está casada.

Em 2014, aos 40 anos, após a 10ª edição dos Jogos Nacionais do SESI, que ocorreram na cidade de Belém (PA), Ádria anunciou sua aposentadoria, encerrando uma carreira gloriosa. Foram mais de 70 medalhas em competições internacionais, incluindo paralimpíadas, jogos Parapan-americanos e mundiais.

Mesmo no auge da carreira, a fonte de renda de Ádria Santos, assim como a da maior parte dos nossos para-atletas, era oriunda do Bolsa Atleta (programa do Governo Federal de incentivo direto ao atleta), sem acréscimo de nenhum outro patrocinador, talvez por isso sonhe em presenciar o momento em que sociedade reconheça o trabalho desempenhado pelos atletas paralímpicos.


Outros títulos internacionais

Prata nos 100m, 200m e 400m, nas Paralimpíadas de Atlanta, em 1996;
Ouro nos 100m, 200m e 400m, no Parapan-americano da Cidade do México, em 1999;
Ouro nos 100m, no Parapan-americano de Mar del Plata, em 2003;
Ouro nos 100m e Prata nos 200m e nos 400m, nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004;
Prata nos 200m, na Copa do Mundo Paralímpica, na Inglaterra, em 2005;
Ouro nos 200m, no Mundial da IAAF de Helsinque (Finlândia), em 2005;
Ouro nos 100m e 200m, no Aberto Europeu de Atletismo Paraolímpico, na Finlândia, em 2005;
Prata nos 200m e 800m, no Parapan-americano do Rio de Janeiro, em 2007;
Bronze nos 100m, nas Paralimpíadas de Pequim, em 2008.

Assista aqui a homenagem feita pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) à Ádria Santos.

Fonte:
http://goo.gl/ckCt0b
https://goo.gl/T2Otkf
http://goo.gl/7QjvXM
http://goo.gl/nTWUWw
http://goo.gl/TwG1uy

De |fevereiro 29th, 2016|Notícia|Comments Off on A maior medalhista paralímpica do Brasil