Servílio de Oliveira, primeiro e único durante 44 anos

Servílio de Oliveira nasceu em 06 de maio de 1948 em São Paulo. É um ex-pugilista brasileiro que conquistou a primeira medalha olímpica do país no boxe. Bronze em 1968, na Cidade do México.

Aos 12 anos de idade, após ver o ídolo Éder Jofre sagrando-se campeão mundial de boxe e também influenciado pelos irmãos mais velhos, Servílio começou a frequentar a academia Caracu Boxe Clube, na rua Aurora, próxima a praça da República, centro velho de São Paulo.

Ele costumava a pegar emprestadas as luvas dos irmãos, quando eles saiam pra trabalhar. Servílio, assim como outros jovens da época, era entusiasmado com o título mundial conquistado por Éder Jofre na categoria Galo, em 1960.

Em 1965, com o fechamento da academia Caracu, Servílio transferiu-se para a academia Flamingo, da Rua Florêncio de Abre, travessa da Avenida Senador Queiroz.

Em 1966, foi campeão do tradicional campeonato d’A Gazeta Esportiva. No Ginásio Pacaembu lotado, derrotou por pontos o lutador Mourival Rodrigues Maia, do Clube Esportivo da Penha. No mesmo ano, venceu o Torneio dos Campeões e foi vice-campeão paulista.

Sua escalada em direção aos Jogos Olímpicos deu-se no ano de 1967, quando foi campeão paulista, campeão brasileiro, campeão do Torneio dos Campeões e foi quarto colocado nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá).

Antes de embarcar para as Olimpíadas de 1968, venceu novamente o Campeonato Paulista, o Brasileiro e também o Campeonato Latino-Americano, em Santiago (Chile). Considerado por muitos, o mais talentoso boxeador brasileiro depois do próprio Éder Jofre, Servílio conquistou a medalha de bronze nos Jogos da Cidade do México, em 1968, na categoria Mosca (até 51 quilos). A única medalha obtida pelo país no boxe olímpico até o ano de 2012.

Mas ir ao México competir não foi nada fácil. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) queria deixar atletas de algumas modalidades de fora, para dar prioridade aos esportes coletivos. Graças a insistência da equipe de pugilismo, que bateu na porta da entidade, Servílio conseguiu ir.

No México, disputando na categoria Peso Mosca, Servílio venceu Engin Yedgard, da Turquia, e Joe Destimo, de Uganda. Na semifinal, foi derrotado pelo mexicano, Ricardo Delgado. Uma decisão que foi muito discutida pelos jurados, em que Servílio perdeu por pontos (3 a 2).

Depois das Olimpíadas de 1968, Servílio profissionalizou-se e manteve o alto nível em suas lutas. Chegou a disputar 12 lutas, vencendo todas. Foi novamente campeão brasileiro, campeão sul-americano, no Equador, e chegou ao terceiro lugar no ranking mundial.

Em 1971, em sua 13º luta como profissional, quando lutava contra o americano, Tony Moreno, recebeu uma cabeçada involuntária no olho esquerdo. Mesmo assim, levou a luta até o fim e venceu. Somente depois ficou sabendo que havia sofrido um deslocamento de retina, que atrapalhou a sua trajetória rumo ao título mundial. Por causa desse problema e por ordens médicas, Servílio foi obrigado a abandonar o boxe aos 23 anos, porém não deixou o esporte.

Em 1975, retornou aos ringues e, após algumas vitórias consecutivas, sagrou-se novamente campeão brasileiro do Peso Mosca. Tentou disputar o título sul-americano, mas o Conselho Mundial de Boxe o impediu de enfrentar o chileno Martin Vargas, devido ao problema de vista.

Em 1978, encerrou definitivamente sua carreira como boxeador, com um histórico de 30 vitórias e 5 derrotas como amador e 20 vitórias em 20 lutas, como profissional. Depois disso, virou treinador e empresário e revelou inúmeros pugilistas da nova geração do boxe brasileiro. Atualmente, Servílio trabalha como coordenador técnico da equipe de boxe de São Caetano do Sul, que obteve resultados ótimos, sendo campeã em 2008 e em 2009 dos Jogos Abertos do Interior, e no ano de 2010 conseguindo o vice-campeonato. Servílio também supervisiona a carreira do pugilista, Jackson “Demolidor” Junior, que estreou em 2010 no México com vitória por nocaute no quarto assalto sobre o mexicano, Lorenzo Bautista.

Servílio de Oliveira é considerado um verdadeiro mito, eternizado nos ringues junto ao seu ídolo de infância, o grande Éder Jofre. Ainda hoje é apaixonado pelo boxe, os seus movimentos de lutador ainda acompanham suas falas. Esquivas, jabbings, que saem provavelmente de maneira inconsciente. Ele nunca trabalhou em nenhuma oura profissão.

Mateus Santana


Fontes:

https://goo.gl/bTwgdx
http://goo.gl/TeXVKV
http://goo.gl/CJ8RP
http://goo.gl/4oYR5O

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