Hoje é dia dela, da dama do samba, Dona Ivone Lara

Hoje, 13 de abril completa 95 anos, Yvone Lara da Costa (Dona Ivone Lara), nascida no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, filha de família humilde e musical.

Dona Ivone nasceu no dia 13 de abril de 1921, filha de D. Emerentina Bento da Silva, costureira, cantora do Rancho Flor de Abacate e João da Silva Lara, mecânico de bicicletas, violonista e componente do Bloco dos Africanos.

Aos 6 anos de idade, órfã de pai e mãe, foi internada por parentes no Colégio Orsina da Fonseca, onde permaneceu até os 17 anos de idade. E foi onde iniciou sua educação musical. Foi aluna de Zaíra de Oliveira, esposa do compositor, Donga e de Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro, Heitor Villa-Lobos que chegou a regê-la no Orfeão de Apinacás da Rádio Tupi. Na escola era admirada por seus professores e ganhou destaque no canto orfeônico, uma espécie de coral com as vozes mais afinadas.

Aos 12 anos, seus primos e futuros parceiros, Hélio e Fuleiro presentearam Dona Ivone com um pássaro Tiê-sangue. O nome do pássaro e a expressão “oialá-oxa”, herdada da avó moçambicana, serviram de inspiração para o primeiro samba que foi composto por ela ainda aos 12 anos chamado, Tiê, Tiê.

Aos 17 anos, saiu do colégio onde morava e foi morar na casa do tio, Dionísio Bento da Silva. O tio pertencia a um grupo de chorões que reunia Pixinguinha, Donga, Jacob do Bandolim, entre outros. Com o tio, Dona Ivone aprendeu a tocar cavaquinho e manteve o intenso contato com o samba.

Em 1947, Dona Ivone foi morar em Madureira e começou a frequentar a extinta escola de samba Prazer da Serrinha, onde aperfeiçoou suas qualidades como sambista. Casou-se aos 25 anos com Oscar da Costa, filho de Alfredo Costa, que era o presidente da Escola. Nessa época, compôs muitos sambas e partidos-alto, que eram mostrados a outros sambistas pelo seu primo, Mestre Fuleiro. As composições eram mostradas como se fossem dele, pois na época havia ainda um grande preconceito que não favorecia a aceitação de mulheres sambistas. Na escola, fez vários amigos e compositores como: Aniceto, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas composições. Ainda neste ano, fez o samba Nasci para sofrer, com o qual a escola desfilou.

Dona Ivone também estudou Enfermagem, formando-se no ano de 1947 e pouco tempo depois trabalhou como assistente social especializada em Terapia Ocupacional. Assim que se formou, foi contratada pelo Instituto de Psiquiatria Engenho de Dentro, onde permaneceu até sua aposentadoria, em 1977.

Em 1965, com o fim da escola Prazer da Serrinha nascia a Império Serrano, fundada por dissidentes daquela. Dona Ivone escreveu seu nome na história do samba ao se tornar a primeira mulher a ingressar na ala de compositores da Império Serrano, e compôs com Silas de Oliveira e Bacalhau a obra-prima Os cinco bailes da corte ou Os cinco bailes tradicionais da história do Rio, que ficou em quarto lugar nos desfiles das escolas de samba. Um clássico que mais tarde passou a fazer parte de um dos seus discos solos. Com o tempo, deixou de compor para a escola e tornou-se, então, madrinha da ala dos compositores, passando a desfilar na ala das baianas no ano de 1968.

O início dos anos 1970 foi bastante marcante pra carreira de Dona Ivone. Após a morte de Silas de Oliveira, passou a compor com Délcio Carvalho, tornando-se famosa no mundo do samba. A partir de então, começou a se apresentar em programas de TV e atuar em discos coletivos. Participou do disco coletivo Sambão 70, gravado pela Copacabana, produzido por Oswaldo Sargentelli e Adelzon Alves. Foi também o ano que recebeu seu nome artístico: Dona Ivone Lara.

Em 1974, participou do Projeto Pixinguinha, apresentando-se com Roberto Ribeiro. No espetáculo, além de cantar, dançava passos de jongo, herdado das tradições africanas e dos pontos de umbanda. Neste mesmo ano, Cristina Buarque gravou duas músicas de sua autoria, Agradeço a Deus e Confesso.

Em 1977, após aposentar-se, passou a dedicar exclusivamente à carreira artística. Passou a ser reconhecida nacionalmente, obtendo enorme sucesso com suas músicas gravadas por ícones da MPB como, Gal Costa, Maria Bethânia, Clara Nunes, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros.

Em 1985, gravou o disco Ivone Lara. Nesse ano viajou para os EUA, Europa e Japão. Em 1997, ao completar 50 anos de carreira, gravou o CD Bodas de ouro, com diversas participações.

Do ano de 2000 em diante, Dona Ivone seguiu ultrapassando fronteiras. Apresentou-se nos EUA e diferentes países da América do Sul, África, Ásia e Europa.

O respeito e admiração do público e colegas lhe rendeu diversos prêmios e homenagens, assim como ter sido tema do enredo da Império Serrano, no ano de 2012.

Hoje aos 95 anos, continua nos palcos, sendo cultuada como diva e recebendo justas homenagens por seus grandes feitos e consagrada carreira.

Mateus Santana

Fontes:

https://goo.gl/vEVpsJ
http://goo.gl/k8CAGw
http://goo.gl/uTIAFr
http://goo.gl/ZKxB1P

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