Terezinha Guilhermina, a atleta cega mais rápida do mundo

Seu nascimento foi dentro de uma carroça, órfã de mãe aos 9 anos de idade, abandonada pelo pai logo após. Perdeu totalmente a visão na juventude. E hoje é a velocista paralímpica mais rápida do mundo. Terezinha Guilhermina é um verdadeiro exemplo de heroísmo e superação.

Terezinha nasceu em Betim (MG), no dia 3 de outubro de 1978 com retinose pigmentar, uma doença que provoca a perda gradual da visão. De uma família humilde, com doze irmãos, sendo que cinco também possuem deficiência visual. Ela encontrou no atletismo a força pra superar as dificuldades da vida.

Quando criança, Terezinha tropeçava nos móveis, mal enxergava os objetos e tinha dificuldades na escola, porém a família não suspeitava que pudesse ser um problema na visão. Terezinha acreditava que todo mundo enxergava como ela. Na escola, disseram que ela tinha miopia e mesmo ela usando óculos, nada adiantava.

Aos 10 anos de idade, Terezinha apanhava na escola de uma menina mais velha, mesmo com a visão debilitada. Para não apanhar ela corria.

“Eu tinha que correr pra fugir dela, foi aí que descobri que podia ser atleta.”

Aos 16 anos de idade, a família ainda não tinha noção da gravidade da doença. E em um exame realizado na Santa Casa de Betim, o resultado mostrou que ela tinha apenas 5% de visão e que com o tempo ela perderia a visão por completo. Apesar de ser um choque para Terezinha e sua família, ela não se dobrou perante mais uma dificuldade que a vida lhe apresentou.

As desconfianças de como seria a vida de Terezinha daí pra frente não foram as melhores. Ela matriculou-se em um curso técnico de administração, e as dúvidas que ela conseguiria se formar eram enormes, pois seria preciso usar calculadora, fazer balanços, algo que a diretora da escola julgou ser improvável para uma cega. Aos 21 anos de idade Terezinha conseguiu completar o curso e com um histórico plausível de ótimas notas. Depois conseguiu um estágio também na área, e apesar de sempre subestimada, ela sempre conseguiu fazer tudo que quis.

Terezinha descobriu o atletismo no ano de 2000, quando se inscreveu em um projeto da prefeitura de Betim (MG). Um projeto que oferecia aos portadores deficiência a possibilidade de praticar esportes, sendo atletismo e natação. Terezinha se inscreveu para natação, pois tinha um maiô, mas sua vontade mesmo era o atletismo, que não se inscreveu por não ter um tênis. Então a irmã de Terezinha (Evania) deu-lhe o único tênis que tinha, o seu primeiro da carreira e que Terezinha tem até hoje.

Ainda no ano de 2000, Terezinha se inscreveu na sua primeira corrida. Uma corrida para deficientes visuais que era organizada pela prefeitura de Betim. O tênis que usava era de qualidade ruim e durante a prova se desfez. Terezinha terminou a competição com um pé descalço. Pouco tempo depois ela ficou em segundo lugar em uma corrida de rua, o que lhe deu um prêmio de R$ 80,00.

“Eu me senti milionária naquele dia”, afirma Terezinha.

Com essa “premiação” a primeira coisa que fez foi ir ao supermercado comprar iogurte.  Aos 22 anos de idade ela ainda não tinha sentido o gosto de um.

O seu talento logo foi notado e ela foi convidada pra treinar em um clube de Belo Horizonte com os atletas da Associação dos Deficientes Visuais de Belo Horizonte (Adevibel). Porém seus treinadores não acreditavam tanto no seu potencial e comparavam seu nível ao das outras meninas da equipe. Diziam que ela era um fusca e as outras meninas eram aviões (felizmente Terezinha não deu ouvidos).

Depois disso a ascensão de Terezinha foi rápida. Em 2001, ela foi convocada para o Pan-americano, na Carolina do Sul (EUA), representando a seleção brasileira. Para quem demorou muito tempo para sair de sua pequena cidade, esse era um salto enorme na carreira.

Em sua primeira competição internacional, Terezinha competiu na categoria T12, para atletas com alguma visão, onde conquistou três medalhas de prata. E sua carreira e marcas só foram melhorando.

Em 2004, na Paraolimpíadas de Atenas, conquistou o bronze nos 400 metros. Como seu problema de visão avançou, Terezinha teve que trocar de categoria, passando para a T11 (atletas completamente cegos).

Entre suas principais conquistas estão:

  • Medalha de ouro nos 100m rasos, 200m rasos, 400m rasos e 4x400m rasos no Parapanamericano da IBSA em São Paulo, 2005;
  • Medalha de ouro em cinco das seis etapas do Circuito Loterias Caixa de Atletismo Paralímpico, 2005;
  • Campeã invicta nos 100m, 200m e 400m rasos do Circuito Loterias Caixa, 2006 e 2007;
  • Campeã mundial nos 200m rasos, em Assen, Países Baixos, 2006;
  • Recordista mundial nos 400m rasos, Curitiba, 2007;
  • Medalha de prata nos 400m rasos na Golden League IAAF em Paris, França, 2007;
  • Medalha de ouro e recorde mundial no 100m rasos, medalha de ouro nos 200m e nos 400m rasos, no Mundial da IBSA, em São Paulo, 2007;
  • Medalha de ouro nos 100m e 200m rasos, medalha de prata nos 400m rasos com novo recorde mundial para a categoria T11, Parapan Rio 2007;
  • Medalha de prata nos 100m e 200m rasos na Copa do Mundo Paralímpica em Manchester, Inglaterra, 2008;
  • Medalha de ouro nos 400m rasos na Golden League IAAF Etapa de Paris, França, 2008;
  • Medalha de ouro nos 200m, prata nos 100m e bronze nos 400 nas Olimpíadas de Pequim, China, 2008;
  • Medalha de ouro nos 100 e 200m nas Olimpíadas de Londres, Reino Unido.

Hoje, além de várias medalhas, recordes mundiais e outros prêmios, Terezinha Guilhermina é considerada a atleta cega mais rápida do mundo. Aos 38 anos, ainda treina forte para conquistar mais ouros nas olimpíadas do Rio 2016.

Fontes:

http://migre.me/utdyO
http://migre.me/utdBm
http://migre.me/utdCV
http://migre.me/utdEw
https://goo.gl/Tm9X6p

De |julho 29th, 2016|Notícia|Comments Off on Terezinha Guilhermina, a atleta cega mais rápida do mundo