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Na virada do ano Fundação participa de evento na Praça de Orixás em Brasília

segunda-feira, by Ascom

Por Débora Cruz e
Emiliane Saraiva Neves

Iemanjá, conhecida como Rainha do Mar e das Águas Salgadas, faz parte do panteão de religiões de matriz africana. E a cada virada de ano, tradicionalmente, Iemanjá é reverenciada em orlas marítimas de vários países onde terreiros se encontram presentes, como em: Portugal, Espanha, Alemanha, Chile, Paraguai e Cuba.

E nesse período de transição do calendário – no dia 31 de dezembro, às margens do Lago Paranoá no Distrito Federal – os adeptos dessas religiões, respeitando suas diferenças e em comunhão de espírito, se unem há mais de 40 anos em um cortejo para agradecer, louvar e consultar seus guias espirituais para um ano seguinte melhor.

A este ambiente de muito respeito ao próximo, a Fundação Cultural Palmares se juntou, levando o projeto Brasília na Luta contra a Discriminação Étnico-Racial. O evento aconteceu na Praça dos Orixás, mais conhecida como Prainha. Segundo os organizadores, cerca de 30 mil pessoas compareceram. O momento foi de muita paz. Segundo a Defesa Civil, Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, que estavam ali para garantir a segurança da população e a ordem do trânsito, nenhum caso de violência foi registrado.

Vinte cinco tendas foram montadas no local. Cinco foram destinadas às instituições públicas que estavam ajudando na coordenação e vinte foram ocupadas por diferentes terreiros da Umbanda de Brasília e Entorno. Segmentos do Candomblé como o Ketu, Angola, Gege, Nagô, Terekô, Tambor de Mina e outros ocuparam a tenda principal.

Mãe Baiana, yalorixá que estava na organização, disse: “Me marcou muito ver o nosso povo chegando na maior alegria trazendo cadeira, mesa na cabeça, descendo dos ônibus correndo para chegar primeiro. Todos correndo para poder pegar um lugar de destaque já prevendo que encheria muito”. Segundo Mãe Baiana, a alegria contagiante estava nos olhos de cada um e até as crianças passeavam tranquilamente, como se estivessem em casa.

Foi instalada uma praça de alimentação, onde houve degustação da culinária africana. Nela era possível encontrar também bobó de camarão, tapioca baiana, acarajé, vatapá, beju, cuscuz e outros alimentos da nossa cultura brasileira. Na feira de artesanato, além dos produtos afros à venda, foram dadas oficinas de turbante e palestras com Ogãs e Ekeds.

Sobre o Projeto Brasília na Luta contra a Discriminação Étnico-Racial.

Terreiros de religiões de matriz africana vêm sofrendo ataques em todos os estados brasileiros inclusive no Distrito Federal e seu entorno. Ao acompanhar casos como o que ocorreu em Valparaíso/GO em março de 2016 , a Fundação Palmares elaborou estratégias para ajudar a coibir a cultura de intolerância religiosa e apresentou nessa virada do ano o projeto: Brasília na Luta contra a Discriminação Étnico-Racial.

O projeto consistiu em apoiar o evento na Praça dos Orixás, colaborando com a estrutura física e trazendo grupos afro-culturais ao evento. Disponibilizou vários ônibus, que trouxeram dos 4 cantos do DF e entorno, religiosos de vários terreiros para o local.

A Fundação, durante a celebração, projetou no telão os vídeos da Campanha Filhos do Brasil, cujo embaixador é o cantor e compositor Arlindo Cruz. Uma palestra e oficina sobre o assunto foram dadas pela instituição antes do cortejo. Durante toda a noite os presentes tiveram a oportunidade de conhecer e entender a luta contra o preconceito étnico-religioso.

Filhos do Brasil é uma ação da FCP, encampada pelo Ministério da Cultura, em defesa da liberdade de crença e de culto, direitos garantidos por nossa Constituição Federal, que reconhece o Brasil como uma nação pluralista, formada por uma população culturalmente diversa.

 O cortejo e as apresentações culturais

A programação começou com a apresentação dos vídeos da campanha Filhos do Brasil. Em seguida uma roda de conversa foi feita. Logo se apresentou o grupo Sensação Paraense, fundado no Vale do Amanhecer, formado por crianças que contam por meio do Carimbó e Boi Bumbá o enredo da história de uma indígena. 

O cortejo se iniciou por volta das 21h. Com cânticos acompanhados pelo som dos atabaques e agogôs, os participantes do cortejo, ao chegarem na Prainha, primeiro saudaram a Exu. Ofereceram o padê de Exu, que é um alimento preparado para homenagear o orixá e pedir-lhe a benção para que tudo ocorra bem durante o evento. Juntamente com o padê foram ofertados bebidas, velas e frutas.

Em seguida todos se encaminharam para a tenda principal para celebrar com louvores à Iemanjá em um grande xiré. Xiré, também chamada de gira, é uma roda onde todos dançam e cantam conforme o dialeto e características de sua própria nação. No xiré é possível identificar diferentes segmentos das religiões de matriz africana dançando juntos, apenas observando como se compõem as suas indumentárias e forma de dançar.

Aproximando da hora da virada do ano o cortejo de dirigiu para a beira do lago. No caminho pararam diante da imagem de Oxalá para um ato de solidariedade, quando foi posto um alá, tecido branco, para cobri-la. Os adeptos pediram às autoridades competentes para que seja feita a sua revitalização.  A estátua em abril de 2016 foi incendiada.

Com os fogos de artifício estourando no céu e a belíssima cascata de luz na ponte Honestino Guimarães, foram oferecidos à Iemanjá oferendas conforme seu agrado: bonecas, espelhos, rosas, pulseiras, velas e flores em barcos. Depois entre a Tenda e a Praça de Alimentação houve novamente louvor e homenagens a Exu.

Em diante, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal promoveu um grande show artístico. A cantora Thabata Lorena iniciou as apresentações musicais, seguida do Grupo Cultural Obará, Renata Jambeiro, Fabinho Samba e Máximo Mansur encerrando o evento.

Fernanda Nascimento, 26, candomblecista e moradora do Distrito Federal, falou como foi sua terceira vez participando das celebrações de virada de ano na Prainha: “Esse foi o melhor ano, foi tudo muito bom. A estrutura estava perfeita, as apresentações musicais e culturais foram lindas, gostei muito!”, diz Fernanda.

 Veja aqui mais fotos do evento


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