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Há 219 anos, baianos lutavam por governo democrático

sexta-feira, by Ascom

Doze de agosto de 1798 ficou marcado na História do Brasil como o dia que faz referência à Revolta dos Alfaiates, também chamada de Revolta dos Búzios, Conjuração Baiana ou Inconfidência Baiana. Muitos historiadores classificam como a mais popular das rebeliões que antecederam à emancipação política do Brasil. Neste sábado, são lembrados os 219 anos desse movimento.

A Capitania da Bahia estava inserida em um contexto mercantilista e escravocrata, mas passando pela crise açucareira. Salvador já não era mais a sede da capital do Brasil há 35 anos. O descontentamento com as medidas do governo e a situação social haviam se espalhado.

Grupos de diversas classes sociais se reuniram para debater a diminuição de impostos e taxas cobradas pela Coroa, aumentos de salário para soldados e a abertura de portos. Muitos desejavam não apenas a libertação dos escravos como a instauração de uma República. Os escritos de Luiz Gonzaga das Virgens e Cipriano Barata divulgavam esses ideais.

O movimento foi às ruas no dia 12 de agosto. Cartazes foram afixados por Salvador convocando o povo para uma revolução. Contudo, antes que a população pudesse se envolver, os participantes acabaram denunciados e o governo reprimiu o movimento. Existem registros de que centenas de pessoas foram denunciadas. Militares, funcionários públicos, clérigos, proprietários de terras foram investigados com acusação de conspiração.

Senhores de engenho foram delatados  por fazerem reuniões com o objetivo de discutir ideias da Revolução Francesa e o aumento da tributação sobre produtos de exportação. Contra eles também havia queixas de enriquecimento ilícito.  Temerosos diante do cenário desfavorável, rapidamente entregaram vários escravizados como forma de afastar qualquer suspeita levantada sobre apoiarem o movimento.

Muitas prisões arbitrárias aconteceram. Os depoimentos das pessoas levadas para o cárcereforam silenciados. Há registros de que maioria dos negros escravizados entregues para prisão sabiam ler e escrever, trabalhavam em casas e gozavam da liberdade de andar pelas ruas de Salvador.

Um ano depois, em 8 de novembro de 1799, a justiça mandou enforcar e esquartejar quatro homens na Praça da Piedade, por ser uma das mais movimentadas de Salvador. Foram sentenciados os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira, os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga. Pagaram com a própria vida por terem lutado pela existência de um governo democrático.

 


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