Após 27 anos preso, no dia 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi libertado

“Seguindo adiante
Através destas montanhas
Trem da África do Sul”

(Trecho da música Shosholoza, escrita originalmente em zulu e símbolo das lutas do povo sul africano).

Mandela nasceu Rolihlahla Mandela, tendo recebido o nome ‘‘Nelson’’ na escola, uma vez que os britânicos não conseguiam pronunciar os nomes xhosa, bem como os demais nomes africanos. Estudou na Universidade Fort Hare, única universidade sul-africana que aceitava negros, onde se engajou no movimento estudantil e conheceu o Congresso Nacional Africano (CNA), partido fundado em 1912 com a finalidade de unir os grupos étnicos sul africanos na luta contra a hegemonia branca e, posteriormente, o apartheid.

Em 1941, aos 23 anos, seguiu para Johanesburgo, fugindo de um casamento arranjado, onde iniciou a carreira de advogado e, em 1952, junto com o amigo e figura política importante na luta, Oliver Tambo, abriu o primeiro escritório de advocacia negro da África do Sul, 4 anos após a institucionalização do apartheid no país (1948). Desde a institucionalização do apartheid, diversas leis segregacionistas foram publicadas, entre as quais a proibição de casamentos interraciais, a criminalização de relações sexuais entre pessoas de grupos raciais distintos, a separação de praias, calçadas, ônibus, hospitais, universidades. As townships, entre os quais Soweto, foram criados neste contexto e constituíam regiões determinadas pelos brancos para a habitação dos negros e mestiços. No massacre de Shaperville (21 de março de 1960), 69 pessoas foram assassinadas após dois dias de manifestação contra a obrigatoriedade de negros portarem passe de identificação, explicitando os locais que estes podiam ir.

Em virtude das ações do Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), braço armado do CNA, fundado após o massacre de Shaperville como forma de endurecer a luta contra o apartheid, Mandela foi considerado culpado de crimes de sabotagem e conspiração, sendo condenado à prisão perpétua em 1964 e enviado para a prisão da Ilha de Robben, destinada a presos políticos, na Cidade do Cabo. Lá, isolado do mundo exterior por 18 anos, Madiba ocupava a cela de número 466/64, com dimensões de 2,5/2,1 metros e uma pequena janela; realizou trabalhos forçados em pedreiras, não recebia visita dos filhos, uma vez que menores de 16 anos, segundo as leis do país, não podiam ver o pai.

Winnie Mandela, esposa de Madiba, mantinha viva a luta contra o apartheid e pela libertação de Mandela. As rebeliões explodiam, sobretudo nas township. Em 1982, foi transferido para a prisão de Pollsmor; em 1985, o então presidente Pieter Botha ofereceu a liberdade de Mandela desde que o CNA renunciasse à luta armada, o que foi recusado por Madiba, que mandou uma mensagem ao povo pela filha Zinzi: ‘‘Eu não posso e não vou prometer nada enquanto eu, você, o povo, não forem livres. A liberdade de vocês e a minha não podem ser separadas. Eu vou voltar. Amandla! (Poder) “. A luta continuava, dentro e fora da África do Sul. 

Em 11 de fevereiro de 1990, aos 72 anos, Nelson Mandela foi libertado, o CNA deixou a clandestinidade e, as leis que impunham a segregação racial, foram abolidas.  Em 1991, o Parlamento da África do Sul, dentro de uma conjuntura internacional de fim de Guerra Fria e de anos de manifestações radicais da população negra que beiravam à guerra civil, procedeu à abolição total do apartheid, regime que tornou, por décadas, os negros sul-africanos prisioneiros dentro de sua própria terra.

Desde então, Mandela tornou-se figura determinante para que no contexto pós apartheid a África do Sul não entrasse em uma sangrenta guerra civil. Nas eleições de 1994, Nelson Rolihlahla Mandela foi eleito o primeiro presidente negro em uma África do Sul dominada política e economicamente por brancos por mais de 350 anos. Em 2019, mesmo após 25 anos de governo de maioria negra, a África do Sul ainda não conseguiu abolir a alta desigualdade social e econômica existente entre negros e brancos.

Durante a prisão, Mandela estudou africâner, a língua do Partido Nacional e dos seus seguidos, a fim de entender como estes pensavam e desenvolver estratégias de luta Este fato o auxiliou anos mais tarde, durante a luta pela conciliação nacional na África do Sul.

Em um contexto de Guerra Fria, o apartheid contou com o apoio velado de países europeus, dos Estados Unidos e de Israel.

Jacob Zuma, presidente do país entre os anos de 2009 e 2018, esteve preso em Robben Island durante10 anos.