54 anos sem Malcolm X

Hoje (21), faz 54 anos da morte de El Hajj Malik Al-Shabazz, mais conhecido como Malcolm X, líder afro-americano que lutou contra o racismo, em seu país. Nascido no estado de Nebraska (EUA), em 19 de maio de 1925, carregava originalmente o sobrenome de sua família.

Seu pai, Earl Little também militou contra a discriminação racial e integrou a Universal Negro Improvement Association and African Communities League (UNIA), organização internacional de autoajuda fundada por Marcus Garvey, comunicador e ativista jamaicano que pregava o retorno dos negros à África, empreendimento que, de fato, ajudou a concretizar.

O ativismo do pai de Malcolm Little deu origem a constantes ameaças de morte da organização pela supremacia branca Black Legion, que forçaram a sua família a mudar de residência por duas ocasiões. Porém, em 1929, a casa em que moravam, já no estado de Michigan, foi incendiada e, dois anos depois, Earl foi encontrado morto sobre os trilhos de um bonde. Ambos os casos foram classificados como acidentes pela polícia.

A mãe de Malcolm, Louise Little, teve, então, que sustentar sozinha seus oito filhos. Desempregada, com poucos recursos e padecendo de problemas psíquicos, Louise foi separada de seus filhos, que foram espalhados por diferentes orfanatos e casas adotivas.

Malcolm também foi adotado por uma família e, apesar das turbulências e violências pelas quais já tinha passado, era bom aluno, até que foi tolhido por um professor que, ao saber do sonho do garoto em ser advogado, sugeriu que ele se dedicasse a alguma atividade braçal, compatível com pessoas de sua cor.

Como resposta àquela sentença Malcolm tornou-se um garoto problemático e ingressou na criminalidade. Primeiro, traficando psicoativos e, em seguida, realizando assaltos.

Em 1946, em um desses atos, foi preso e, após julgamento, condenado a 10 anos de prisão. Na cadeia, dedicou seu tempo à leitura, desde textos clássicos, até textos de sociologia, economia e política. Durante, a redescoberta de seu interesse pelos estudos, Malcolm foi apresentado por seu irmão, Reginald, que havia se convertido ao islamismo, aos ensinamentos de Elijah Muhammad, fundador da organização religiosa Nation of Islam (NOI). A conversa com seu irmão aguçou sua curiosidade e ele passou a estudar tais ensinamentos, dentro os quais encontrava-se o argumento de que a sociedade branca se empenhava objetivamente em impedir a tomada de consciência da população negra, obstaculizando quaisquer processos que a empoderasse ou permitisse o alcance de sucesso político, social ou econômico. A NOI também lutava pela criação de uma pátria exclusiva para o povo negro.

As ideias pregadas por Elijah Muhammad, alimentaram em Malcolm um pensamento mais combativo em relação aos não-negros e embasaram sua disposição em responder com violência às agressões sofridas pelo afro-americanos.

Assim, ao sair da prisão, Malcolm, já utilizando o novo sobrenome “X”, pois considerava “Little” uma herança do passado escravocrata e “X”, um marcador de seu nome tribal perdido, tornou-se adepto convicto da NOI.

Aos poucos, devido à sua inteligência e oratória foi se tornando o porta-voz da entidade, assumindo não apenas a responsabilidade por recrutar novos adeptos, realizar sermões e estabelecer novas mesquitas pelo país, mas também participando de debates em universidades, programas de rádio e TV, por indicação do próprio Elijah Muhammad. 

Sua atuação, mesclada com seu carisma e poder de persuasão, surtiu efeito e a Nation of Islam que, em 1952, contava com 500 adeptos, onze anos depois já contava com mais de 30 mil. Suas contínuas aparições públicas tornaram-no o principal nome da NOI, eclipsando seu mentor e chamando a atenção das autoridades do governo estadunidense, que o viam como um perigoso agitador.

Malcolm X manteve, associada à sua atuação em prol da NOI, seu gosto pela leitura, o que reforçou seu ativismo e aprimorou sua crítica à sociedade americana, por meio da intersecção entre questões raciais e de classe, passando, assim, a ser também um ferrenho crítico do sistema de produção capitalista. Numa de suas famosas frases, afirmou que “o sonho americano foi construído sobre o pesadelo dos negros.”

Ademais, na luta em prol da igualdade de direitos entre brancos e negros, Malcolm X já despontava no cenário mundial como uma figura central, ao lado de Martin Luther King e do presidente Kennedy.

Em 1963, exatamente quando estava no auge de sua popularidade e havia adquirido uma avançada consciência social e política, Malcolm X decepcionou-se com a organização religiosa que o abrigou e deu vazão a todo seu potencial crítico, após descobrir que seu mentor matinha relações sexuais com até seis mulheres que participavam da NOI, tendo filhos com algumas delas.

Logo em seguida, após uma polêmica declaração sobre a morte de Kennedy, Elijah Muhammad condenou Malcolm a 90 dias de silêncio. No começo de 1964, ele decidiu romper definitivamente com a NOI, o que fez aumentar o seu número de inimigos, já que muitos islâmicos negros o rotularam como traidor.

Malcolm decidiu, então, fundar a Organization of Afro-American Unity (OAAU), inspirada na Organização da Unidade Africana e com o propósito de lutar pelos direitos humanos dos afro-americanos e de promover cooperação entre africanos e afro-descentes nas Américas. Fundou também sua própria associação religiosa, a Muslim Mosque.

Ainda em 1964, partiu em peregrinação a Meca e lá conviveu com mulçumanos de várias origens étnicas e percebeu que seu antigo mentor havia feito uma leitura bastante enviesada do Islã. Apesar disso, Malcolm retornou com sua fé reforçada e crente na perspectiva da integração e convívio harmônico entre pessoas de distintas raças.

Todavia, a situação em seu país continuava conturbada e sua vida passou a estar sob constante ameaça. Em 14 de fevereiro de 1965, a casa em que ele, sua esposa Betty Shabazz, com quem casara-se em 1958, e suas quatro filhas foi alvejada por bombas. Por uma questão de sorte ninguém se feriu.

No entanto, apenas uma semana depois, na sede da OAAU, pouco antes de iniciar seu discurso, Malcolm X foi alvejado por 15 tiros à queima-roupa, na frente da esposa grávida e das filhas. Ele morreu com apenas 39 anos, assassinado por 3 membros da NOI.

A vida e a luta de Malcolm X inspiraram outros grupos como os Panteras Negras e uma multidão de oprimidos mundo a fora. Serviram também de base para numerosos livros, documentário e filmes, como o dirigido por Spike Lee, em 1992.

Fonte:

https://goo.gl/kyTl3K

http://goo.gl/WI1GRj

http://goo.gl/f4lWKt

 

De |fevereiro 21st, 2019|Banner, Notícia|0 Comentários