13 de maio: Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo

Hoje, 13 de maio, marca o fim “oficial” do período escravocrata, sendo considerado também o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Por isto, separamos alguns fatos históricos que assinalaram a luta da população negra pela liberdade.

Com base na historiografia tradicional, o fim de mais de três séculos de escravidão no Brasil foi interpretado como um processo elitista e da ação do estado brasileiro, no qual o escravizado foi um personagem passivo. No entanto, o 13 de maio formalizou um processo que veio se desenhando ao longo do tempo e que não mais se sustentava, em virtude do crescimento das revoltas contra o regime e da conjuntura internacional. O Brasil foi o último país da América a por fim à escravidão.

Ao longo de 300 anos, o aquilombamento foi uma estratégia de ruptura com a escravidão e de busca pela liberdade. Quilombos foram formados por todo território nacional, onde o maior e o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares, em Alagoas.

A Bahia, na primeira metade do século XIX, foi palco de duas importantes revoltas: a Revolta de Itapuã, um levante de negros escravizados ocorrido em 28 de fevereiro de 1814 e a Revolta dos Malês, de 1835.

A Revolta de 1814, liderada por João Malomi, teve início quando 200 escravizados haussás atacaram armações pesqueiras de baleias, invadindo casas, atacando senhores de engenho, incendiando casas e destruindo instrumentos de trabalho, em Itapuã, região norte de Salvador. De Itapuã os revoltosos marcharam rumo ao Recôncavo pela Estrada Real, onde continuaram a incendiar casas e plantações. No entanto, não conseguiram alcançar a região dos engenhos, no Recôncavo, onde pretendiam encontrar escravizados da região. Nas margens do Rio Joanes, perto de Santo Amaro de Ipitanga – no atual município de Lauro de Freitas – os rebeldes foram barrados por homens da Casa da Torre e moradores locais, vindos de Abrantes, a norte de Itapuã, sob o comando de Manoel Rocha Lima.

A Revolta dos Malês, de 1835, foi liderada por africanos islamizados, assim como os líderes da Revolta de 1814. A data escolhida foi o 25 de janeiro, fim do Ramadã e dos tradicionais festejos religiosos dedicados à Nossa Senhora da Guia. O objetivo era a libertação dos negros escravizados.

No entanto, antes mesmo de eclodir, a Revolta foi denunciada por uma negra ao juiz de paz e, por isso, ocorreu de forma desorganizada. Devido à inferioridade numérica e de armamentos, os escravizados acabaram sendo massacrados pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados com a possibilidade do sucesso da rebelião negra.

Além destas e outras revoltas, escravizados se reuniam em redes, irmandades, associações de apoio para a compra de alforrias, possibilitando que as lutas se desenvolvessem em diversas frentes.

Neste cenário, fazemos memória também a personalidades históricas negras. Luís Gonzaga Pinto da Gama, que ao criar uma nova forma de ativismo abolicionista, ajudou a conseguir a liberdade de cerca de 500 escravizados, por meio de ações na justiça.

Adelina, a Charuteira, ativista que utilizou seu conhecimento da cidade de São Luís do Maranhão para auxiliar na luta pela liberdade e na articulação de fugas de escravizados.

A estes somam-se André Rebouças, Luiza Mahin, José do Patrocínio, Maria Firmina dos Reis, Francisco José do Nascimento (o Dragão do Mar), entre outros tantos ativistas e vozes negras que pegaram em armas, usaram a palavra, a fé, a religiosidade para resistir e por fim a este regime de opressão.

O caso do Ceará também é emblemático e sinaliza que lutas de resistência eclodiam Brasil a fora, tornando a escravidão um regime insustentável.

Nos dias 27, 30 e 31 de janeiro de 1881 e, 3 de agosto do mesmo ano, os jangadeiros se recusaram a transportar, do Porto de Fortaleza para os navios negreiros, escravizados que seriam vendidos para outras províncias. Esta foi a Greve dos Jangadeiros que, ao paralisar o tráfico por alguns dias, impulsionou a abolição da escravatura no Ceará. Como resultado desta greve e de outros processos no interior da província, em 25 de março de 1884, o presidente da província, o baiano Sátiro Dias, declarou a libertação de todos os escravos do Ceará, tornando o estado o primeiro a abolir a escravidão no país, quatro anos antes da Lei Áurea.

Desta forma, observa-se que a abolição no Brasil foi conquistada, por meio de diversas frentes de resistência que incluíram o movimento abolicionista, com ações de importantes líderes negros, revoltas, greves, formação de quilombos, mas também pressão externa, sobretudo da Inglaterra, potência econômica do século XIX, ávida por novos mercados consumidores.

Para saber mais:

https://bbc.in/2E64obz

http://bit.ly/2JDaAvg

http://bit.ly/2Eivlcr

 

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