MPT capacita jovens negros no Ilê Aiyê para inserção no mercado de trabalho

O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) lançou nesta quinta-feira (30) o projeto Conexão Negra, que visa unir as maiores empresas aos jovens negros de Salvador. A aula inaugural será realizada na sede do bloco afro Ilê Aiyê. Ao todo, 400 jovens negros serão capacitados em cursos realizados por profissionais de grandes empresas dos ramos de publicidade, advocacia, empresarial e estética afro. Serão quatro módulos de três meses cada, com aulas aos sábados. No final da capacitação, o objetivo é que as empresas absorvam a mão de obra treinada.

Para a procuradora do Trabalho Valdirene Assis, coordenadora da iniciativa, é preciso desenvolver ações afirmativas para a inclusão de negros e negras no mercado de trabalho. “Hoje já existe um número de profissionais capacitados e prontos por causa das cotas nas universidades. Mas a dificuldade que esses profissionais têm de adentrar o mercado de trabalho é que motiva o MPT a chamar a sociedade para essa discussão e para o enfrentamento da raiz desse problema, que é a discriminação”, afirma.

A procuradora ainda destaca que o MPT já editou uma nota técnica com fundamentação jurídica para orientar o mercado a direcionar a seleção de funcionários e estagiários negros. Para ela, é preciso incentivar as empresas a contratar essas pessoas que já estão capacitadas. Um dos problemas que ainda persistem e que devem ser combatidos é a diferença de rendimento entre brancos e negros. “Uma mulher negra que soma fatores discriminatórios de gênero e de raça vai ganhar 50% a menos do que um homem branco. Isso mostra que políticas pensadas adequadamente para a população negra ingressar no mercado de trabalho são fundamentais”.

Além do MPT, o projeto conta com a parceria da Cáritas do Brasil, do Pacto Global da ONU e das empresas parceiras. Somente esta semana, para articular o curso de publicidade, as oito maiores agências de publicidade participaram de reunião preparatória do curso e disponibilizaram seus profissionais para executar a capacitação. “O desemprego, a informalidade, a dificuldade de progressão na carreira, os piores salários e outras questões relevantes sobre trabalho são discutidas quando a gente centra na população negra. É aí que o MPT atua com o projeto de inclusão. A ideia do projeto é promover a diversidade étnico-racial envolvendo vários segmentos empresariais, como setor bancário, empresas de beleza e estética e setor farmacêutico. Nós trabalhamos com as empresas que tem maior capacidade de inclusão”, concluiu Valdirene Assis.

Fonte: 

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