Governo Brasileiro Trabalha Para Proteger Patrimônio Cultural da Humanidade

O governo brasileiro vem intensificando parcerias nacionais e internacionais para proteger e promover o Sítio Arqueológico Cais do Valongo como Patrimônio Cultural da Humanidade, conforme reconhecido pela UNESCO em 2017. A Fundação Cultural Palmares (FCP), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e outros órgãos competentes, negociam possibilidades para a construção do Centro de Interpretação referente à área, com o objetivo de aproximar os visitantes da realidade vivida por escravizados do período colonial.

Nesse sentido, estiveram reunidos no Rio de Janeiro, na última semana, o presidente da FCP, Vanderlei Lourenço, e os representantes do Consulado Geral dos Estados Unidos: o adido cultural Kevin Brosnahan e o especialista em cultura Victor Tamm. O encontro resultou em proposta para a elaboração de um seminário internacional que viabilizará a criação do Centro de Interpretação do Cais do Valongo.

A ideia é que o seminário seja realizado em dezembro com a participação de especialistas da África, de Portugal e dos Estados Unidos. Nele serão compartilhadas experiências para a constituição do Centro de Interpretação e trabalhados modelos de gestão compartilhada para o Sítio Arqueológico. “Por se tratar de uma referência mundial, é importante a participação de outros países na sua preservação”, afirma Lourenço.

Valongo – Reencontrado em 2011, o Cais é uma das provas históricas da diáspora africana. Desde o seu reconhecimento como Patrimônio Mundial, o Brasil recebe participação financeira chinesa e norte-americana para salvaguardá-lo. É considerado pela Unesco, um sítio sensível por estar relacionado a memória de uma grande tragédia humana. Como ele, existem apenas dois no mundo: a cidade de Hiroshima, no Japão, e os destroços de Auschwitz, na Polônia.

Edificado em 1811 e ativo por duas décadas, o Cais foi o local onde desembarcaram entre 500 mil e um milhão de escravizados, trazidos do
Continente Africano por meio dos navios negreiros. Em 1831, o tráfico de escravizados entre continentes foi proibido e, hoje, o Valongo representa o único vestígio material do período da escravidão, um importante recurso para a memória da história nacional e mundial.

IV Fesman – Outra pauta de parceria entre o Consulado e a FCP foi o IV Festival Mundial das Artes Negras (Fesman), previsto para acontecer no ano 2020 como parte das celebrações da década Internacional dos Povos Afrodescendentes. “O Fesman não deve ser visto como restrito aos países como o Brasil e os países africanos, mas como um festival das artes negras dos quais todos os países podem participar. O ideal é que seja um grande intercâmbio”, disse Lourenço.

As tratativas com relação ao Fesman ocorrem desde o mês de junho, quando teve início a análise de alternativas estruturantes do Comitê Organizador para a quarta edição do evento. Fazem parte das parcerias as 54 embaixadas dos países africanos no Brasil, representadas pela Embaixada de Camarões – que sedia o decanato do Comitê desses países.

De acordo com Carolina Petitinga, Coordenadora de Estudos e Pesquisa do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC/FCP), a equipe do Consulado se mostrou aberta e considerou que há ainda outros meios para que a parceria com a Fundação se intensifique.

Já em São Paulo, Lourenço, acompanhado de Carolina, visitou ainda a Faculdade Zumbi dos Palmares e a Câmara Brasileira do Livro (CLB) onde trataram da representatividade negra na Feira do Livro de Frankfurt. “Há muito interesse na literatura de temáticas africanas e afro-brasileiras em outros países, é nesse caminho de registrar e de informar que a Fundação vem investindo para dar mais visibilidade à população negra”, afirmou.

Outros assuntos também foram tratados com as instituições. Entre as pautas, a participação da FCP em grandes atividades culturais dos dois estados.