Presidente da Palmares e embaixador de Camarões se encontram para alinhar proposta do IV Fesman

O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Vanderlei Lourenço, foi recebido nesta segunda-feira (23) por Martin Agnor Mbeng, embaixador da República de Camarões no Brasil, para tratar do IV Festival Mundial das Artes Negras (Fesman). A razão do encontro foi propor que o embaixador seja o responsável por levar a proposta do Fesman aos países do Continente Africano, com objetivo que estes sejam parceiros na articulação e execução do Festival.

Mr Mbeng participará nesta quinta-feira ((26), de reunião junto a representantes de 35 países africanos, onde informará sobre a proposta apresentada por Lourenço. “Esperamos a maior adesão possível, pois, a cultura é uma expressão muito importante a um povo. Assim, a relação entre o Brasil e a África deve ser compreendida como de grande relevância”, disse Mr Mbeng.

A ideia é que a próxima edição do evento aconteça no Brasil no próximo ano. “O Fesman será a grande ação da Palmares em 2020. Estamos otimistas, a previsão é que pelo menos 20 estados brasileiros, além de países africanos e de outros continentes participem conosco”, afirma Lourenço.

Kátia Cilene Martins, coordenadora-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC) da FCP, e, Carolina Petitinga, coordenadora de Estudos e Pesquisa, acompanharam o presidente. Segundo elas, é gratificante constatar a grande receptividade da proposta. “Será um importante canal de intercâmbio e de reconhecimento internacional das artes negras”, destaca Katia.

Até novembro, outras reuniões ocorrerão com o objetivo de efetivar as parcerias para que o IV Fesman ocorra. “Esses encontros são importantes para que possamos visualizar a concretização deste grande Festival”, ressalta Carolina.

FESMAN – O Fesman é a maior reunião das artes e da cultura negra do mundo. O evento foi idealizado há cinco décadas por Léopold Sédar Senghor, político, escritor e presidente do Senegal de 1960 a 1980. No período entre as duas Guerras Mundiais, juntamente ao poeta antilhano Aimé Césaire, conceituou o termo “negritude”, dando origem ao movimento literário que exaltava a identidade negra em sua época.

A primeira edição do Fesman foi realizada em 1966, em Dacar, no Senegal, com o tema Significado das Artes e Cultura Negra na vida dos Povos e para os Povos. Outras duas edições aconteceram em 1977 na Nigéria e em 2011 novamente em Senegal. Nesta última, o Brasil foi convidado de honra do Festival. O terceiro Fesman uniu 80 países que, em duas semanas apresentaram, apoiaram e/ou prestigiaram expressões negras como Arquitetura; Artes e Artefatos Antigos; Artesanato; Artes contemporâneas; Cinema; Culturas Urbanas; Dança; Design; Literatura; Moda; Música; e Teatro.

Do encontro cultural entre nações participam, não somente Brasil e África, mas também países convidados, de outros continentes, que reconhecem os valores por trás das artes negras.