Informe Palmares - Número 11 - Ano 2 - 1 a 15 de Março de 2007
Igualdade já: professores combatem racismo dentro de sala de aula
Por Marcus Bennett
Brasília - Embora pareçam ser poucas as lutas e ações de combate ao racismo dentro da nossa sociedade, principalmente, dentro das salas de aula, inúmeros são os trabalhos realizados por professores na busca pelo ensino da aceitação das diferenças raciais no meio escolar. Como toda mudança social deve acontecer desde cedo, a educação para uma sociedade menos racista e preconceituosa não pode ser diferente. Pensando dessa forma, professores da rede pública de ensino mostram que o primeiro passo é fazer existir o entendimento da identidade racial já na educação infantil. Já que a aceitação da própria criança como negra nem sempre é fácil, pois ela precisa se ver e se respeitar como tal, mas para isso, precisa de referências que confirmem essa vontade.
Com o incentivo do governo e algumas ONGs, através de premiações e reconhecimento aos profissionais da educação, é percebido agora um aumento no número de trabalhos sobre o desenvolvimento da conscientização racial nas escolas. Iniciativas como da CEERT - Centro de Estudos das Relações do Trabalho e da Desigualdade - que estimula o desenvolvimento de iniciativas para o combate ao racismo na educação com o prêmio: Educar para a Igualdade Racial; e de outros na mesma linha, como o Prêmio Professores do Brasil, do Ministério da Educação, mostram que, além de necessário, é possível encontrarmos diversas idéias e soluções para que a educação deixe de ser racista.
Diversas escolas nas mais diferentes cidades brasileiras têm implementado com sucesso empreendimentos educacionais dignos de louvores. Louvor esse que se converteu em recompensa em 2005, na primeira edição do Prêmio Professores do Brasil, para as professoras Valmária Martins da Silva e Marizete Ribeiro, pelo trabalho desenvolvido na Escola Classe 16 do Gama - DF. Ao longo de seis anos, com a temática "Negro que te quero ser negro", as professoras desenvolvem ações para a auto-aceitação das crianças como negras.
Valorização para derrubar o preconceito
Segundo a professora Valmária, "o preconceito no Brasil é velado, ninguém assume, mas é facilmente visto nas crianças e até mesmo em alguns educadores". Assim, sentindo que a dificuldade na aprendizagem das crianças poderia ter relação com a própria aceitação delas e de suas auto-estimas, afinal, constatou que 90% das crianças que apresentavam menor nível de desenvolvimento de leitura e escrita eram negras. "Em algumas atividades, pedimos para que as crianças se desenhassem, e elas se caracterizaram brancas, loiras e de olhos claros. Percebíamos que elas não tinham prazer em se olhar no espelho. Daí, juntamente com a professora Marizete, resolvi trabalhar a auto-estima, o autoconceito positivo das crianças". Durante as aulas, as professoras realizam atividades nas quais se destacam pessoas negras. Assim, levam até a sala de aula obras de arte, literatura e músicas produzidas por negros, que muitas vezes estavam presentes nas aulas, justamente para instituir referências para os estudantes, criando e reforçando o verdadeiro orgulho de ser negro. E, ao final de cada ano, as professoras realizam o Encontro Cultural das Belezas Negras, que é um "momento ímpar para as crianças, onde elas se mostram e se vêem. Mostramos a beleza negra como ela é e não com o nariz afilado e com cabelo alisado", diz Valmária. "O bom, é que as crianças fazem parte do processo, juntamente com a família e a comunidade. Nós vemos que elas se sentem mais valorizadas. Todas conseguiram melhorar a aprendizagem e seguiram o caminho na escola. E quando perguntadas sobre o que mais gostaram, temos o prazer de ouvir: O orgulho de ser negro. Agora o trabalho precisa ser dividido com outras escolas", conclui a professora Valmária.
Desafios para capacitar e ensinar a cultura afro
Desenvolvendo o tema: África na sala de aula, a professora Neide Rafael, docente na matéria de educação artística e história da arte (com formação africanista) leciona no Centro Fundamental do Guará I e também contribui para uma formação de alunos mais esclarecidos. Aplicando atividades a partir da aceitação e do respeito à diferença, ensina que "a igualdade só pode vir se houver respeito ao outro, à sua maneira de ser. Muito se fala em auto-estima, mas a auto-estima nada mais é que a sua própria aceitação e a aceitação do outro. As características físicas, a cultura, a religiosidade, a sociabilidade". Na sala de aula a professora trabalha com as questões que os próprios alunos trazem, as realidades, os conhecimentos e as dificuldades deles. Levando a eles temas relacionados às diversas áreas de conhecimento com foco na cultura brasileira de matriz africana. E através de atividades, busca as relações interpessoais, o afeto, o tato, o conhecimento do outro, dentro do espaço escolar, seja na sala de aula ou mesmo na hora do recreio.
No entanto, Neide aponta uma questão importante, a dificuldade dos próprios professores se capacitarem e encontrarem material disponível para que sejam atendidas as especificações da lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, assim como, da história da África. "Não há bibliografia disponível, nem preparação para os professores. Temos apenas algumas ações como seminários, cursos e palestras desenvolvidas por instituições governamentais como o ministério da Educação, a Fundação Palmares e a Secretaria da Diversidade", reclama a professora. E continua, "ainda temos outro problema, a dificuldade dos professores encontrarem horários disponíveis para participarem das capacitações, devido ao constante trabalho. É preciso que os diretores estejam sempre atentos e sensibilizados para essas ações. Necessitamos de aliados", finaliza.
Beleza pura
A professora gaúcha, Rita Maurício, da Escola Estadual Daltro Filho, no Rio Grande do Sul, realizou um trabalho sobre a aceitação das diferenças em alunos de escola pública, que deu tão certo que agora vai se tornar um livro: Beleza Pura - A construção da auto-imagem e a percepção da beleza corporal como forma de aceitação das diferenças. Resultado de uma especialização em Educação Física, o projeto nasceu da indignação da professora frente às discriminações e preconceitos entre diferentes pessoas e grupos que sempre notou ao longo da vida, incluindo seus próprios alunos. Foi no cotidiano das aulas, no próprio processo de aceitação como pessoa e profissional através da busca de referenciais de valorização mútua junto aos seus alunos. "O trabalho é resultado de uma pesquisa associada a um projeto de intervenção, realizada nas aulas de Educação Física na Escola estadual de Ensino Fundamental Padre Anchieta (Pelotas/RS), que tem uma clientela economicamente desprivilegiada, habitante da periferia e de maioria negra ou parda e teve como objetivo incentivar nos educandos adolescentes a valorização do próprio corpo, alertando-os para os perigos do discurso midiático de padronização corporal, buscando fazê-los reconhecer a própria beleza e a diversidade cultural e étnica, abrindo-se à beleza da vida que se manifesta plural", nos explica a professora.
Rita Maurício usou, como metodologia, observações sobre os modelos de corpo na mídia e discussões sobre a baixa presença do negro. Por exemplo, ao estudarem o conto "A bela e a Fera", de Walt Disney, os alunos eram questionados sobre a aparência da Fera ao tornar-se príncipe (cor da pele, cabelo, altura, gordo ou magro), assim como, se o príncipe precisava seguir o padrão de beleza branca imposto pela mídia. Também foram realizadas entrevistas indagando o significado de beleza para cada adolescente envolvido. "Ao término de um ano de projeto, vimos como resultados, que as atividades desenvolvidas ajudaram aqueles jovens a repensarem seus conceitos, a aguçarem seu senso crítico quanto a padrões pré-estabelecidos e a aumentarem sua auto-estima. Pude observar uma empolgação geral da meninada, uma auto-estima elevada, diferentemente do que vi no começo do ano letivo", concluiu a professora Rita.
Brasília - No dia em que completou 93 anos de vida - 14 de março - o ex-senador, artista plástico e militante negro Abdias Nascimento é especialmente homenageado pelo Informe Palmares por sua trajetória em favor da defesa e valorização da cultura afro. Não só no Brasil, mas em outros países, Abdias Nascimento é agraciado com títulos de honra ao mérito. No ano passado, Abdias foi condecorado com o título de cidadão honoris causa pela Universidade de Brasília. Sua relevância para a história do Movimento Negro, junto com a sua trajetória artística pode ser vista na exposição Abdias Nascimento, 90 anos, Memória Viva, cuja mostra passou por várias cidades do Brasil em 2006, apoiada pela Fundação Cultural Palmares/MinC.
Caminhada:
Nascido em Franca, SP, no dia 14 de março de 1914 e neto de africanos escravizados, bem cedo Abdias teve consciência do mundo que teria de enfrentar. Segundo filho de Dona Josina, a doceira da cidade, e Seu Bem-Bem, músico e sapateiro, Abdias várias vezes testemunhou brigas de sua mãe contra ofensas motivadas por questões raciais. Ele conta que o primeiro grande ensinamento na defesa do povo afro-brasileiro ocorreu quando, ainda criança, viu sua mãe sair em defesa de um menino negro órfão que estava sendo espancado na rua por uma mulher branca.
Abdias cresceu numa família coesa, carinhosa e organizada, porém pobre, e diplomou-se em contabilidade pelo Atheneu Francano em 1929. Com 15 anos, alistou-se no exército e foi morar na capital São Paulo. Ali, na década de 1930, engaja-se na Frente Negra Brasileira e luta contra a segregação racial em estabelecimentos comerciais da cidade. Prossegue na luta contra o racismo organizando o Congresso Afro-Campineiro em 1938.
No início da década de 40, como integrante da Santa Hermandad Orquídea, viaja com poetas brasileiros e argentinos para uma série de palestras pela América do Sul. Em Lima, no Peru, resolve assistir a uma montagem de O imperador Jones, de Eugene O´Neill, estrelada por um ator branco pintado de preto. A imagem o fez refletir sobre a presença/ausência de atores negros no teatro brasileiro. Em 1944, ele cria o Teatro Experimental do Negro, que além de abordar a estética e a identidade da cultura afro-brasileira, foi responsável por formar os primeiros atores negros do teatro no Brasil. A entidade ainda patrocina a Convenção Nacional do Negro em 1945-46, que propõe à Assembléia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro-descendente e um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria.
À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950. Militante do antigo PTB, é afastado do Brasil em 1968, indo viver nos Estados Unidos, onde atua como conferencista e professor. Desde o exílio, participa da formação do PDT. De volta ao Brasil, lidera em 1981 a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT.
Na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação. O Governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, em 1999, assume como titular-fundador a cadeira de Secretário de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em 2004, seu nome é indicado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Abdias é hoje o homem símbolo da luta pela igualdade racial no Brasil.
Nas telas, religiosidade e sabedoria negra
A obra artística de Abdias nasce de seu trabalho de curadoria no projeto do Museu de Arte Negra. Desafiado pelo amigo Efrain Tomás Bó, pinta suas primeiras telas em 1968. No dia da promulgação do AI-5, encontra-se em Nova York e é acolhido por uma amiga artista plástica norte-americana, Ann Bagley. Usando palitos de fósforo e restos de tinta que a amiga jogava fora, pinta seu primeiro quadro no exterior, o Riverside 1. Sente a pintura como uma forma eficaz de comunicação em terras estrangeiras. Desenvolve sua obra, num processo inteiramente autodidata, mergulhando no calor do processo criativo para fugir do frio nos invernos do norte.
De volta ao Brasil, continua pintando à medida que as atividades cívicas e políticas o permitem.
A pintura de Abdias Nascimento mergulha nas raízes culturais do mundo africano. Explora e interpreta diversas simbologias, desde a matriz primordial do Egito antigo, fonte da unidade essencial das civilizações africanas, passando pelo candomblé, o vodu do Haiti e os ideogramas adinkra da África ocidental. Essas referências se mesclam à evocação de heróis da luta de libertação dos povos africanos no continente e sua diáspora. O resultado é uma tessitura de temas e signos que brotam das cosmogonias e das passagens existenciais comuns aos povos afrodescendentes. Esses temas e signos realçam valores universais à experiência humana.
O fazer criativo de Abdias une a atuação cívica anti-racista com a valorização da cultura, identidade e herança africanas.
Obras publicadas e selecionadas
Entre peças teatrais, poesia, ensaios e trabalhos de pesquisa, Abdias tem mais de 20 livros publicados de sua autoria. Também organizou revistas, antologias e coletâneas que registram a sua atuação cívica e cultural, bem como as realizações das entidades que criou. Sua peça Sortilégio tem duas versões, ambas traduzidas ao inglês:
Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2003.
O quilombismo, 2ª ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor Editor, 2002.
O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.
Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/Temple University Press, 1995.
A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.
Africans in Brazil :a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa World Press, 1991.
Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989.
Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86. (Discursos e projetos de lei.)
Povo Negro: A Sucessão e a "Nova República". Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.
Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia.)
Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.
Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro.)
Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.
Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.
O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
"Racial Democracy" in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2ª ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977.
"Racial Democracy" in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1ª ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976.
Sortilégio (mistério negro). Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça de teatro.)
Os Orixás do Abdias, Pinturas e Poesia de Abdias Nascimento. Os orixás dessas telas resultam das reflexões e aventuras do espírito de Abdias Nascimento no rastro de um problema que, para ele mais do que uma questão artística ou acadêmica é uma exigência vital.
Nova comissão no Senado em prol da comunidade afro-brasileira
Por Marília Matias de Oliveira
Brasília - Com o nome "120 anos da Abolição não concluída", uma nova comissão temporária será criada no Senado Federal. No dia 8 de março, o requerimento para a criação da nova comissão, de autoria dos senadores Paulo Paim (PT-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). O dia 13 de maio, em que se celebra a abolição da escravatura, foi escolhido para inaugurar os trabalhos da comissão, que terminarão também no dia 13 de maio de 2008.
A expressão "Abolição não concluída", segundo o senador Paulo Paim, foi utilizada com o propósito de mostrar que a exclusão dos negros continua em nossa sociedade. "Quando veio a dita Lei Áurea, foi assegurada a liberdade aos negros, mas não os direitos civis", explica o senador. Paim esclarece que a comissão irá debater essa questão e trabalhar pela aprovação de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. Entre esses projetos, estão o Estatuto da Igualdade Racial e o Projeto de Lei nº 73, que estabelece a política de cotas para negros nas universidades.
O Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim, já foi aprovado no Senado em 2005 e, segundo o senador, está pronto para ser aprovado no plenário da Câmara. O projeto do Estatuto contém ações e medidas ligadas à saúde, educação, cultura, esporte, lazer, economia e propriedade destinadas a assegurar direitos das mulheres negras, das comunidades remanescentes de quilombos e da comunidade afro-brasileira em geral.
O lançamento dos trabalhos da comissão se dará com uma audiência pública no dia 14 de maio no Senado Federal, já que dia 13 cai num domingo. Mas, antes disso, outra audiência pública dará início aos debates no próximo dia 22 de março. De acordo com o senador Paulo Paim, a finalidade dessa audiência é discutir a questão do racismo, por ocasião do Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial, dia 21 de março. A ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, estará presente na audiência.
As audiências públicas têm a função de debater os temas e, por isso, são abertas ao público. Estarão presentes as entidades do movimento negro, a Fundação Cultural Palmares, a Seppir, e demais instituições. "Nossa intenção é interagir com os três Poderes, debater o tema mais do que vem sendo debatido", diz Paulo Paim. O senador espera que no final de um ano, os projetos de lei e o Estatuto da Igualdade Racial estejam aprovados. "Que nesse prazo, nós possamos dizer que avançamos na conquista dos direitos civis para os negros", deseja Paim.
Estatuto da Igualdade Racial
De autoria do senador Paulo Paim, o Estatuto reúne um conjunto de ações e medidas especiais que, se adotadas pelo Governo Federal, irão garantir direitos fundamentais à população afro-brasileira.
Carolina de Jesus: do Brasil para o Mundo, a salvação do negro pela escrita
Por Fernanda Lopes Correia
Brasília - A consagrada escritora negra Maria Carolina de Jesus se ainda estivesse viva estaria completando seus 91 anos de idade. Carolina de Jesus nasceu dia 14 de Março de 1914 em Sacramento, Minas Gerais. Em 1958 a escritora projetou-se. Suas histórias viraram livros de sucesso no Brasil e no exterior. Sua vida deu enredo a filmes e peças teatrais, tornando-a um símbolo eterno da desigualdade social no Brasil. Os livros narram a história de quem viveu na pele o drama de ser mulher, negra e pobre. Seus diários denunciaram a fome, a tristeza, a miséria e o preconceito que sofria.
Carolina, mulher negra, mãe solteira, "lixeira", sobrevivente de uma favela paulistana, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas. Ao escrever uma matéria sobre a expansão da favela do Canindé, o jornalista conheceu a escritora e seus mais de 20 cadernos recolhidos do lixo onde ela registrava o seu cotidiano.
Audálio Dantas apresentou os diários de Carolina à editora Francisco Alves, que os publicou com o título Quarto de despejo. A primeira publicação da pobre mulher negra tornou-se um sucesso editorial, sendo conhecido em mais de quarenta países e traduzido em treze línguas. E Carolina de Jesus ainda em vida viu a edição de 30 mil exemplares de seu primeiro livro esgotar-se em três dias.
As obras de Carolina Maria de Jesus são um referencial importante para os estudos culturais, tanto no Brasil como no exterior. "Carolina de Jesus, é um referencial de vitória para as minorias, em especial para os negros e favelados. E para nós, escritores negros, representa muito mais, representa a salvação através da escrita", ressalta a escritora Esmeralda Ribeiro.
Os livros de Carolina de Jesus fizeram muito sucesso no Brasil, e ainda fazem no exterior. Porém, hoje já não ouvimos falar tanto nas obras de Carolina. "Ressaltar seus livros, é ressaltar a vergonhosa situação social brasileira, que piorou muito em trinta anos da morte de minha mãe", conclui Vera Eunice, filha de Carolina. Relembrar Carolina de Jesus é não deixar cair no esquecimento uma escritora reconhecida em todo o mundo, de suma importância singular para história brasileira.
OBRAS: Quarto de Despejo (1960), Casa de alvenaria (1961), Provérbios (1963), Pedaços da fome (1963), Diário de Bitita (publicação póstuma, 1982).
Enquete:Em nossa última enquete, perguntamos aos internautas:
Você já foi vítima de discriminação racial em seu emprego?
66% dos nossos internautas disseram já ter sido vítima de discriminação racial em seus locais de trabalho, contra 34% que declararam nunca ter sofrido algum ato racista.
A pergunta que está no ar é a seguinte: As mulheres negras estão tendo mais chances profissionais no mercado de trabalho? Não deixe de responder. O resultado você confere na próxima edição do Informe Palmares.
Fórum: Participe do nosso fórum de discussão. Nosso tema proposto pergunta a você, internauta, "Anúncio recente postado em uma comunidade do site de relacionamentos ORKUT oferta emprego a jornalista, negra, acima dos 30 anos, para trabalhar em emissora de TV. A publicação de tal anúncio gerou um intenso debate na comunidade, pois muitos participantes consideraram "racista" a ação do futuro empregador em delimitar a vaga para contratação. Em sua avaliação, o que você achou desta iniciativa? Você considerou que o anúncio é racista por pedir uma jornalista negra, com mais de 30 anos para trabalhar na emissora de TV? Opine."
Empossado, Zulu Araújo promete maior integração com países africanos: Marcada por aplausos e momentos de emoção, a posse do novo presidente da Fundação Cultural Palmares/MinC, Zulu Araújo, serviu para mostrar a toda a comunidade afro-brasileira o início de uma nova gestão, comprometida com a integração e interatividade. Mais de 300 convidados, entre representantes do Sistema MinC, órgãos governamentais, embaixadas e instituições do movimento negro lotaram o auditório da Fundação Cultural Palmares, em Brasília. O ministro de Estado da Cultura, Gilberto Gil, compareceu à cerimônia, acompanhado pelo secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira. Também estiveram na posse os presidentes do Iphan, Biblioteca Nacional e Casa de Rui Barbosa.
CDROM: Maçambique - Osório / RS. É uma espécie de auto popular de natureza religiosa, com qual os negros prestam as suas homenagens aos santos negros de devoção católica, tais como Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, expressas pela liturgia da igreja e, sobretudo, por meio de percussão dos tambores, dos cantigos, de danças e cortejos e de bailados. Clique aqui e faça o download.
Expediente: Assessoria de Comunicação Social da FCP/MinC Editor: Oscar Henrique Cardoso (FENAJ 5661) Reportagens: Fernanda Lopes Correia, Marcus Bennett, Marília Matias de Oliveira e Oscar Henrique Cardoso Webdesigner: Alessandro Naves Resck
Setor Bancário Norte, Quadra 02, Bloco H - Edifício Central Brasília, 1º Subsolo CEP: 70040-904 - Brasília/DF - Brasil - Tel: (61) 3424-0108 - Fax: (61) 3326-0242