Bumba meu boi

Bumba meu boi ou Boi-bumbá é uma dança surgida no século XVIII na região Nordeste. Nesse período o boi tinha grande importância simbólica e econômica (Ciclo do Gado) e tinha como grandes criadores os colonizadores que faziam uso de mão de obra escrava.

Por ser uma festa de origem negra, o Bumba Meu Boi já sofreu perseguição das elites nordestinas e também da polícia, chegando a ser proibido de 1861 a 1868.

O bumba meu boi tem influências das culturas africana, europeia e indígena e a história que envolve sua dança é de um casal de escravos, Pai Francisco e Mãe Catirina (ou Catarina). Grávida, Catirina começa a ter desejos por língua de boi. Para atender suas vontades, seu marido tem de matar o boi mais bonito de seu senhor. Percebendo a morte do animal, o dono da fazenda convoca curandeiros e pajés para ressuscitá-lo. Quando o boi volta à vida, toda a comunidade celebra.

A brincadeira possui uma variedade de nomes e formas de apresentar o espetáculo. No Amazonas é Boi-Bumbá; Boi-de-Reis na Paraíba; Boi Surubi, no Ceará; Boi Calemba ou Calumba no Rio Grande do Norte; Rancho-de-Boi na Bahia; Bumba-de-Reis no Espírito Santo; Boi Pintadinho no Rio de Janeiro; Boi-de-Mamão em Santa Catarina e Boizinho no Rio Grande do Sul. No Maranhão, estado que concentra o maior número de grupos, contudo, o nome dado é Bumba meu boi; não por coincidência, é a nomenclatura mais conhecida.

O festejo costuma ocorrer nos meses de junho e julho, durante as festas juninas, mas também pode acontecer em outras épocas do ano, por exemplo, de mês de novembro até 6 de Janeiro, durante o ciclo natalino. As suas músicas contam a história da lenda de Francisco e Catirina e reúnem vários estilos brasileiros: aboios, toadas, repente, canções pastoris e cantigas. Seu ciclo festivo e de apresentações podem ser divididos em quatro etapas: na primeira etapa, os ensaios; na segunda etapa, o batismo (quando o boi recebe todas as bênçãos do padroeiro da festa); na terceira etapa, as brincadeiras em arraiais durante o período das festividades juninas; e na quarta e última etapa, a morte do boi, que acontece no final do mês de julho.


SOTAQUES E BRINCANTES

Só na cidade de São Luís existem mais de cem grupos de bumba meu boi, que são divididos de acordo com o seu sotaque (forma de se expressar através das vestimentas e coreografias, instrumentos escolhidos e cadência da música). Os cinco sotaques mais famosos são:

Matraca

O sotaque de matraca (ou da ilha) vindo de São Luís é o mais popular e com maior numero de grupos no Estado. Tem como principal instrumento a matraca, dois pedaços de madeira que são batidos um no outro, e o pandeiro rústico, feito de couro de cabra. O sotaque de Matraca tem um som mais lento do que os outros sotaques, muito por influência indígena, grupo étnico que mais se sobressai nesses grupos. O bailado tem poucos gingados, de gestos bruscos, rápidos e curtos, semelhante à dança timbira

Os grupos mais conhecidos do sotaque de matraca são: os bois de Maracanã, da Maioba e da Pindoba. Uma das suas referências é o cantador Humberto Barbosa Mendes (Mestre Humberto de Maracanã), nascido na cidade de São Luís em 1939. Mestre Humberto de Maracanã faleceu na data de 19 de janeiro de 2015, em São Luís.

Zabumba

Considerado por alguns estudiosos o ritmo original do bumba meu boi, é forte na região de Guimarães e arredores, têm como puxadores as zabumbas (tambores bem grandes socados por uma maceta, pandeirinhos e matracas também participam, mas somente como complementos). Característico das chamadas comunidades negras do interior do Maranhão, o sotaque tem forte presença da cultura africana, cuja percussão rústica produz um ritmo mais lento, socado, que lembra a melancolia do banzo das senzalas. O figurino é rico. Os brincantes usam roupas aveludadas, saias amplas bordadas e chapéus cheios de fitas que quase cobrem seu rosto.

Os grupos mais conhecidos do sotaque de zabumba são: Boi Leonardo, Boi de Vila Passos, Boi da Fé em Deus, Boi Unidos Venceremos e Boi de Guimarães. Uma das referências é Antero Viana, nascido na cidade de São Luís em 1928, fundador do Boi de Monte Castelo. Antero Viana faleceu em 1999, um ano após o seu grupo ter encerrado suas atividades.  

Orquestra

Com origem na região de Munim, no sotaque de orquestra incorpora-se o acompanhamento de instrumentos de sopro e de corda, como o saxofone, clarinete, piston e banjo, o que deixa as toadas menos pesadas e mais aceleradas. A sonoridade também interfere na indumentária do sotaque. Vestes mais elaboradas e coloridas deixam os grupos com estética mais atraente, principalmente para os turistas. Orquestra possui o maior número de grupos e por isso é o mais visto nas programações dos arraiais da capital. Criticados por alguns, o sotaque de orquestra tem se afastado das tradicionais características, tendo em vista principalmente o interesse econômico.

Os grupos mais conhecidos do sotaque de orquestra são: Boi de Nina Rodrigues, Boi de Axixá, Boi de Rosário, Boi Brilho da Ilha, Boi de Morros e Boi de Novilho Branco. Uma das referências é o apresentador oficial, Ribamar Lisboa, que há mais de 35 anos anima o arraial da cidade de Rosário.

Baixada

O sotaque de baixada (ou de Pindaré) é característico da Baixada Maranhense. Os bois do sotaque de Baixada utilizam instrumentos percussivos como pandeiros, caixas, tambores-onça, maracás e pequenas matracas e tem o som mais leve e lento. Na verdade, é o toque ritmado que dá o tom suave. A roupa vem com penas e bordados em bases de veludo e chapéus suntuosos.

Os grupos mais conhecidos do sotaque de baixada são: Boi da Floresta de Apolônio, Boi Oriente, Boi União da Baixada, Boi de Pindaré, Boi Unidos de Santa Fé e Boi Penalva do Bairro de Fátima. Uma das referências é o Mestre Apolônio, nascido em São João Batista, em 1918. Mestre Apolônio foi o fundador do Boi da Floresta, um dos mais tradicionais do sotaque da baixada.

Costa de Mão

O sotaque costa de mão (ou Cururupu) é originário do município de Cururupu, no litoral norte maranhense e tem uma história curiosa. De acordo com seu Eliésio, do Boi Brilho da Sociedade, a origem deste sotaque está ligada à vida dos negros que eram castigados pelos seus senhores. Os negros eram castigados nas mãos, mas mesmo com as mãos feridas não deixavam de festejar o São João e para não perderem a festa tocavam os pandeiros com as costas das mãos. Além dos pandeiros, entre os instrumentos tocados pelos brincantes estão os maracás de metal e tambores-onça.

Os grupos mais conhecidos do sotaque de costa de mão são: Rama Santa, Brilho da Sociedade, Soledade e Brilho da Areia Branca.


PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL

Em agosto de 2012, o bumba-meu-boi foi reconhecido como manifestação cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), recebendo a certificação do título de Patrimônio Cultural do Brasil. No dia 30 de Junho é comemorado o Dia Nacional do Bumba Meu Boi.


Fonte: 

http://bumba-meu-boi.info/

 http://brasilescola.uol.com.br/folclore/bumbameuboi.htm

http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Parecer_Bumba%20Meu%20Boi%20MA.pdf

http://bumba-meu-boi.info/bumba-meu-boi-do-maranhao.html

http://www.suapesquisa.com/pesquisa/bumba_meu_boi.htm

De |janeiro 22nd, 2016|Sem categoria|Comments Off on Bumba meu boi