Ouro Preto adere ao Conhecendo Nossa História

Ouro Preto já conta com o projeto Conhecendo Nossa História: da África ao Brasil, desenvolvido pela Fundação Cultural Palmares (FCP) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a prefeitura do município. O lançamento aconteceu na Casa de Cultura Negra, na quinta-feira, 31 de agosto, e contou com a participação do presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira.

O Conhecendo Nossa História alia a distribuição de material educativo sobre a cultura afro-brasileira a capacitações com professores para que apliquem os conteúdos em sala de aula. Adilson Pereira, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal de Ouro Preto (Neabi-Ufop), considera importante a chegada do projeto à cidade histórica. “Esperamos que este material nos ajude a promover uma política de igualdade racial em nosso município”, afirmou.

Na opinião do secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, o Conhecendo Nossa História se adéqua ao perfil da atual gestão, de valorizar as diversas expressões locais. “A influência afro é fundamental na formação do povo de Ouro Preto, de Minas e do Brasil. Essa iniciativa da Palmares incentiva a reflexão sobre a diversidade do povo brasileiro”, destacou Zaqueu.

Zumbi e Chico Rei

O vereador Chiquinho de Assis acha essencial que Ouro Preto participe do Conhecendo Nossa História: da África ao Brasil. “O que seria da nossa cidade sem a presença afro-brasileira? Assim como Alagoas é a terra de Zumbi dos Palmares, aqui tivemos Chico Rei. São dois ícones negros”, enalteceu Chiquinho. Segundo relatos da tradição oral, Chico era o rei de uma tribo do Congo e chegou ao Brasil escravizado. Conseguiu comprar sua alforria e a de outros conterrâneos, tornando-se para essas pessoas um “rei”.

O prefeito de Ouro Preto, Júlio Pimenta, ressaltou o papel do projeto piloto para a educação. “Temos orgulho de lançar esta ação de reconhecimento da cultura afro-brasileira. Queremos, a partir da parceria com os movimentos sociais e a classe artística, entre outros, combater o preconceito para que esse problema acabe de vez”, declarou Júlio.

O poeta, produtor, gestor cultural e ativista Luís Aparecido da Silva também assinalou a necessidade de se dar novo significado à contribuição afro-brasileira. “Ao implementar esse trabalho, a Fundação Palmares contribui para se reavaliar o papel do negro em nosso país e no mundo em geral”, comentou.