Steve Biko enfrentou regime racista sul-africano

Nesta terça-feira, 12 de setembro, são lembrados os 40 anos da morte de Steve Biko, um dos mais importantes ativistas na luta contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorava na África do Sul. Líder estudantil, Biko fundou o Movimento da Consciência Negra (BCM), que se mobilizava contra a opressão da minoria branca.

Stephen Bantu Biko nasceu no dia 18 de dezembro de 1946, em Ginsberg Township. Era filho de Mzingayi Mathew e Alice ‘Mamcete’ Biko. O pai de Steve tinha um emprego no governo e sua mãe fazia trabalhos domésticos nas casas de brancos. Em 1950, com apenas quatro anos, Biko perdeu o pai.

Em 1964, Steve foi enviado para o prestigiado internato Lovedale High School, porém acabou expulso da instituição por conta de seu ativismo político. Já no ensino superior, estudou Medicina na Universidade de KwaZulu-Natal.

Como militante contra o racismo, Biko fundou a Organização dos Estudantes Sul-Africanos (SASO), que pregava a unificação dos universitários em uma consciência negra. A SASO evoluiu para o Movimento de Consciência Negra. No ano de 1972, acabou expulso da universidade, também devido à sua atividade política. Em 73, o governo do apartheid proibiu que falasse em público, escrevesse ou desse entrevista.

Mesmo cerceado pela ditadura racista, Steve exerceu papel fundamental nos protestos que se transformaram no Levante de Soweto, no dia 16 de junho de 1976. Nessa manifestação pacífica, estudantes marcharam em Soweto, subúrbio negro de Johanesburgo. O protesto sofreu ataque das forças policiais e virou um conflito sangrento. Segundo dados oficiais, houve 95 mortos, no entanto acredita-se que esse número possa ter chegado a 700.

Morte

Em conseqüência do seu papel de opositor do regime, Biko passou a ser cada vez mais visado pelas autoridades sul-africanas. No dia 18 de agosto de 1977, Steve foi preso em uma barreira policial e levado para um interrogatório, que durou 22 horas e incluiu tortura e espancamento. Devido aos ferimentos, Biko entrou em coma. Chegou a ser levado para uma prisão com hospital, onde faleceu.

A polícia forjou as circunstâncias da morte, alegando que o ativista havia perdido a vida em consequência de uma greve de fome. Amigo de Biko, o jornalista Donald Woods e Helen Zille, futura líder política, expuseram a fraude com fotos do cadáver. Woods acabou tendo que fugir da África do Sul e se exilou na Inglaterra. No Reino Unido, fez campanha contra o apartheid e escreveu o livro Biko, anos mais tarde transformado em filme com Denzel Washington no papel do líder.

A morte de Biko gerou comoção. Mais de 10 mil pessoas compareceram ao funeral, incluindo diplomatas europeus e americanos. Biko imortalizou o slogan black is beautiful (o negro é lindo), que incentivava a auto-estima da população afro. Nelson Mandela falou sobre Steve: “Tiveram que matá-lo para prolongar o apartheid

De |setembro 12th, 2017|Banner, Notícia|Comments Off on Steve Biko enfrentou regime racista sul-africano