Noriel Vilela fundiu samba rock à religiosidade de matriz afro

Quem já foi a algum baile black tem grande chance de haver escutado Dezesseis Toneladas, versão em ritmo de samba do cantor Noriel Vilela para Sixteen Tons, canção country americana dos anos 40. Mas esta não foi a única marca na curta carreira e vida do artista carioca. Ele também integrou o famoso conjunto vocal Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano e gravou discos solos – um elepê e vários compactos – em que combinou religiosidade de matriz afro com som do samba rock.

Aonoriel Vilela Arantes nasceu em 1936. Seu primeiro trabalho de repercussão aconteceu com o grupo Os Cantores de Ébano, do maestro Nilo Amaro. Formada por negros, a trupe vocal interpretava tanto clássicos da música brasileira, de nomes como Dorival Caymmi, como canções tradicionais americanas. Noriel ganhou destaque por sua voz de baixo em canções como A Lenda do Abaeté e Uirapuru.

Em 1969, Vilela lançou seu único LP, Eis o Ôme. O trabalho chamava atenção não só pelo vocal grave como pelas temáticas envolvendo a religiosidade de matriz afro em todas as músicas. Musicalmente, o álbum trazia uma rica fusão de instrumentos de percussão dos terreiros com guitarras, órgãos e metais, indo do samba e da gafieira ao samba rock, em uma estética musical então batizada de sambalanço.

O cantor carioca ainda gravou compactos na primeira metade da década de 70, no entanto teve um fim prematuro. Morreu aos 39 anos, no dia 20 de janeiro de 1975, em um hospital do Rio, vítima de leucemia. Seu legado, porém, permanece até hoje, influenciando novos artistas da MPB e conquistando fãs em plena era digital. Em 2014, a cervejaria holandesa Heineken usou Dezesseis Toneladas em um comercial.