Economia da Cultura pode acabar com a extrema pobreza

Foto: Joceline Gomes / FCP

Nabil Kadri, Carlos Moura, Ubiratan Castro e Edson Santos compõem a mesa

 Por Daiane Souza   

A economia da cultura é um dos setores mais crescentes do Brasil na geração de renda e educação, sendo apontada como um dos caminhos para mudar o cenário de marginalidade a que estão expostos 16 milhões de brasileiros. Esta foi uma das propostas apresentadas pelo deputado federal Edson Santos, durante o debate da mesa “Cultura: erradicar a miséria e ampliar a cidadania, na última quarta-feira (17).    

Na avaliação de Edson Santos, o setor deve ser visto como potencial ao desenvolvimento local de comunidades, baseada em recursos inesgotáveis e como ferramenta de reforço a vínculos sociais e de identidade. “A economia move o país e quando se fala em cultura, o Brasil tem um enorme potencial a ser trabalhado pelo Estado. Podemos crescer ainda mais para tirar o brasileiros da miséria”, afirmou.    

A economia da cultura tem como eixos a estética, a cidadania e a economia, porém, o obstáculo para aproveitamento destas potencialidades está na ausência de pesquisas que contemplem esses setores. Os desafios são a promoção da inovação e a criação de pequenos empreendimentos, a melhoria da infraestrutura existente, facilitar o acesso a mercados e em garantir a participação da cultura na produção nacional.    

Patrimônio Quilombola – Pensando no legado cultural das comunidades de quilombo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Cultural Palmares trabalham possibilidades para o tombamento dos territórios quilombolas reconhecidos. De acordo com Célia Corsino, diretora do Departamento Imaterial do Iphan, a medida garante proteção às terras e todos os valores materiais e imateriais que nelas se encontram.    

Foto: Joceline Gomes / FCP

Célia Corsino: "Parceria entre a FCP e o IPHAN garante proteção às terras quilombolas"

“O tombamento é mais rígido que o registro e traz garantias mais concretas”, ressalta Célia. Para o Carlos Moura, coordenador do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FCP, o tombamento é absolutamente relevante à proteção de nossa cultura.    

Cultura sem Preconceito – Ubiratan Castro de Araújo, ex-presidente da Fundação Cultural Palmares e diretor da Fundação Pedro Calmon da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, destacou durante o Seminário Nacional que para um país onde o futebol faz parte da cultura, a Copa do Mundo de 2014 além de sua importância econômica será uma oportunidade para tratar do racismo. “Podemos fazer dela a Copa da igualdade”, ressaltou.    

Para que este objetivo seja alcançado, Ubiratan Araújo defende que a Copa seja um espaço para afirmação e visibilidade da identidade do povo brasileiro, que tem origem negra. “Vamos persistir na ampliação das políticas, no foco racial em programas sociais e no combate aos estereótipos”, concluiu.

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