Prêmio Viva meu Mestre divulga resultado final

Por Joceline Gomes

O Diário Oficial da União divulgou nesta quinta-feira (25), o resultado do Prêmio Viva Meu Mestre. Iniciativa criada a partir da instalação do Grupo de Trabalho Pró-Capoeira do Ministério da Cultura, formado por representantes do Iphan, da Fundação Cultural Palmares, da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, Secretaria Executiva e Secretaria de Políticas Culturais do MinC.

Foram 178 inscrições de todo território nacional e a maioria das regiões do país está contemplada na premiação. Confira a lista dos contemplados aqui.

Três mestres de capoeira em situação de vulnerabilidade social que faleceram durante o processo de seleção foram homenageados pelo Prêmio:

Mestre Artur Emídio: Artur Emídio de Oliveira, nasceu em 31 de março de 1930. Com 7 anos começou na Capoeira e, em 1945, iniciava como instrutor. Foi reconhecido mestre em 1960. Discípulo de Teodoro Ramos, Mestre Paizinho de Itabuna-BA, criou o grupo de capoeira Artur Emídio no Rio de Janeiro. Deu aulas em instituições das Forças Armadas e realizou centenas de palestras e demonstrações em escolas e praças.

Para ele, Capoeira era “tanto esporte quanto luta e ação social: é a luta mais bonita do mundo e ainda desenvolve o psicológico do indivíduo”. Acreditava que sua prática “gerou mais respeito ao próximo e o valor da ética”. Por vocação e natureza, a história de Mestre Artur Emídio fez a ligação da antiga capoeiragem carioca com as gerações mais novas.

Seu papel agregador foi fundamental na valorização da “velha guarda” da capoeiragem carioca em um cenário em que a capoeira se tornava um esporte e cativava os mais jovens. Sobretudo na década de oitenta.

Mestre Peixinho: Marcelo Azevedo Guimarães nasceu em 20 de dezembro de 1947. Começou a praticar em 1964 e a atuar como professor em 1967. Foi reconhecido Mestre em 1974. Foi aluno de Claudio Danadinho. Realizou marcantes apresentações em TV e coordenou inúmeras oficinas em comunidades da periferia do Rio.

Trabalho atuante na faixa etária de 4 aos 15 anos, em sua maioria, sob situação de risco. Mostrou a Capoeira em inúmeros circuitos internacionais, semeando grupos e discípulos. Foi o organizador do primeiro encontro europeu de capoeira, em Paris, em 1987.

Via a capoeira como “porta de entrada” para o contato com a rica diversidade cultural do Brasil, “como a língua, o jongo, o maculelê, o samba etc”. “Capoeira é um fator de integração social e a que mais divulga a nossa língua no mundo”.

Mestre Bigodinho: Reinaldo Santana nasceu na comunidade quilombola do Acupe, Santo Amaro da Purificação-BA, em 13 de setembro de 1933. Morava no bairro do Cabula, em Salvador, e começou na capoeira em 1950. Em 1960 passa a professor e é reconhecido mestre em 1968. Discípulo de Waldemar da Paixão, jogava na rua Pero Vaz, Liberdade, onde herdou e manteve a linhagem de capoeira Angola da Bahia. Também aprendeu com os mestres Traira e Zacarias.

Coordenou o grupo resistência na década de 60, na Lapinha-BA. Dizia “ser do tempo” em que a polícia reprimia as rodas e ameaçavam: “pare senão furo o pandeiro e quebro o berimbau”. “Mas graças a Deus hoje tá diferente”, concluía. Integrou o grupo folclórico Viva Bahia de Emília Biancardi. Compositor, participou de inúmeras gravações, em especial, de um CD com Mestre Boca Rica.

Fala da sua vida no Brasil e no mundo no DVD Tributo a Mestre Bigodinho. Afirmava que preferia “fazer pouco bem feito que o muito mal feito”; “Capoeira não é valentia. É defesa pessoal e cada qual se defende como pode na hora da necessidade”.

Prêmio – O Viva Meu Mestre tem como objetivo fortalecer a tradição cultural da capoeira e premiar mestres acima de 55 anos em situação de vulnerabilidade sócio-econômica, destacando aqueles cuja trajetória de vida tenha contribuído de alguma forma para a transmissão e a continuidade do esporte-luta no Brasil.

Criação: Daniel Cabral

De |agosto 25th, 2011|Notícia, Secundária|Comentários desativados em Prêmio Viva meu Mestre divulga resultado final