1948: Um discurso pela liberdade e pela igualdade

Daiane Souza

Há 48 anos um discurso mudou o rumo da luta contra a discriminação nos Estados Unidos e no mundo. Pronunciado por Martin Luther King Junior em 28 de agosto de 1963, o texto intitulado Eu tenho um sonho comoveu 250 mil pessoas que sofreram ou presenciaram a segregação racial durante décadas naquele país. O fato se tornou marco histórico da militância negra que, como resposta, teve a aprovação, um ano depois, da Lei dos Direitos Civis, primeiro passo dado pelo Governo Federal Norte-Americano no combate ao racismo.

O pastor protestante tinha 34 anos quando se tornou símbolo entre os lideres do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo por uma campanha de não-violência e de amor ao próximo. No dia do discurso, uma estrondosa salva de palmas recebeu Luther King que lembrou, na ocasião, que, mesmo depois de mais de um século da abolição, o negro ainda não era um cidadão livre.

Ressaltou a importância da luta pela garantia dos direitos à vida, à liberdade e à busca pela felicidade na Constituição. Respondendo às alas radicais do movimento, disse que o povo negro não deveria matar a sede de liberdade na taça do ódio e da revolta, mas que, porém, não deveria se sentir satisfeito com as meias-verdades oferecidas pelas elites do país.

O trecho mais conhecido do discurso resultou de um improviso que, iniciado por Luther King com a frase “eu tenho um sonho”, desdobrou-se na vontade de que “…um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-senhores de escravos possam se sentar juntos à mesa da fraternidade”.

Para concluir, pediu a todos que se dessem as mãos e cantassem um velho canto religioso dos tempos da escravidão que diz “livres finalmente! Livres finalmente! Graças a Deus Todo-Poderoso, estamos livres finalmente!”. No mesmo dia, uma comissão de lideranças da Marcha de Washington, como ficou conhecido o episódio, foi recebida pelo então presidente John Kennedy, que declarou apoio à pauta de reivindicações.

Kennedy não colocou a proposta em aprovação pelo Congresso Americano, pois, menos de 3 meses depois, foi vítima de um golpe, morto numa visita oficial a Dallas, no estado do Texas. Luther King, foi assassinado dois anos depois.

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