Mestre Camisa comenta ensino da capoeira no Brasil

Daiane Souza

“A história da capoeira precisa ser aprofundada nas escolas brasileiras”. Com esta frase, José Tadeu Carneiro Cardoso, conhecido como Mestre Camisa, incentivou o debate da palestra Conheça mais… O que é capoeira, parte da segunda etapa do Ciclo de Palestras Cultura Afro-brasileira: nosso patrimônio. Promovido pela Fundação Cultural Palmares nesta quinta-feira (17), no Rio de Janeiro, a atividade faz parte das comemorações do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes e do Dia Nacional da Consciência Negra.

Em seu discurso o mestre lembrou como a capoeira foi marginalizada num passado próximo e que só foi reconhecida por meio do tombamento como patrimônio imaterial da cultura brasileira. “Porém, a capoeira ainda sofre os efeitos da falta de informação, que acaba por refletir uma África distinta: a que existe no imaginário das pessoas. Infelizmente, a temática ainda é pouco aprofundada nos livros didáticos e precisa ser mais bem divulgada”, afirmou.

Doutor Honoris Causa pela Universidade de Uberlândia, Mestre Camisa é referência por se dedicar ao estudo da capoeira e por sua atuação cultural, social e educacional no Brasil e no exterior. Ao longo de sua carreira passou por praticamente 80 países, incluindo nações africanas divulgando e pesquisando sobre a luta que apesar de 100% brasileira tem em seu perfil raízes africanas. “Em Angola compreendi o modo de pensar dos mestres e uma capoeira muito representativa de várias culturas e manifestações”, explicou.

Para ele, a riqueza histórica por trás da capoeira tem muito a dizer sobre os brasileiros, especialmente nos dos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco que têm a maior tradição na luta. Foram estes os estados que serviram de entrada para a cultura dos africanos escravizados durante o colonialismo e que ainda hoje concentram os maiores percentuais da população negra do país.

Entre suas referências, Mestre Camisa teve o famoso Mestre Bimba, mestre Traíra e mestre Waldemar. Aos 55 anos, o homem que conheceu a capoeira ainda criança, afirma que a essência do jogo é a luta. “A capoeira não nasceu apenas para a defesa pessoal. Ela surgiu em defesa da cultura, da honra, da dignidade, da identidade de um povo”, conclui e reforça: “é esta a capoeira que precisa ser ensinada nas escolas”.

Ciclo de Palestras Cultura Afro-brasileira: nosso patrimônio – Aberto ao público, a iniciativa tem por objetivo promover o debate em torno de temas ligados à população negra. O encontro no Rio de Janeiro contou ainda com a presença de Ana Ribeiro, chefe executiva em gastronomia, que palestrou sobre gastronomia afro-brasileira. O ciclo de palestras segue até o dia 13 de dezembro. A próxima cidade da programação será Salvador no próximo dia 19 de novembro. Confira a programação:

Palestra: Conheça mais… Lei nº 10639/2003         
Palestrante: Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e relatora do Parecer/MEC, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana  

Palestra: Conheça mais… O negro nos meios de comunicação  
Palestrante: Maurício Pestana – Diretor Executivo da Revista Raça Brasil  

Serviço:

Horário: 9h às 12h  

Local: Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Auditório Jurandir Oliveira –Rua Silveira Martins nº 2555 – Cabula – Bahia

De |novembro 17th, 2011|Notícia|Comentários desativados em Mestre Camisa comenta ensino da capoeira no Brasil