Joel Rufino dos Santos – 1994

Denise Porfírio/FCP“Quando eu fui indicado para presidir a Fundação Cultural Palmares, fui conversar com o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e eu impus a ele uma só condição: o apoio da Presidência e o Ministério da Agricultura a demarcação dos remanescentes que quilombos. O meu ponto de vista político sempre foi: o problema dos negros só são interessantes se forem tomados como problemas do Brasil. Se forem tomados como problemas exclusivos da população negra, não serão resolvidos nunca.

Para mim, o grande sofrimento brasileiro é que o povo que vive aqui não é dono daqui. É o caso especial do negro. Durante quatro quintos do tempo que o Brasil tem de existência, o negro estava aqui, mas não era daqui, não tinha nada aqui. Só o próprio corpo. Então, eu queria apoio para a luta dos remanescentes de quilombo. E aí eu organizei a minha gestão nesse objetivo: titular as terras quilombolas. Sem esquecer, é claro, das nossas outras questões.

Como não tínhamos dinheiro, fui fazer política. Transformamos o Ministério da Cultura, para desagrado do próprio ministério, num balcão de quilombolas pedindo a demarcação de suas terras. O ministro não gostou, é claro. Então fui até o Nelson Jobim que me disse que a única solução era titular essas terras. Ao falar com o ministro da Agricultura ele me disse que nós podíamos contar com a sua ajuda para demarcar esses territórios. E toda a minha gestão teve como norte esse objetivo: a luta pelo direito a terra dos remanescentes de quilombos.”

De |agosto 23rd, 2013|Sem categoria|Comentários desativados em Joel Rufino dos Santos – 1994