Dia Nacional da Umbanda

A Umbanda é uma religião criada no Brasil e marcada por expressivo sincretismo, pois mescla elementos do Candomblé, do Catolicismo, de religiões de matriz indígenas e do Espiritismo.

A publicação da Lei nº 12.644, de 16 de Maio de 2012, assinada pela presidente Dilma Rousseff, oficializou o dia 15 de Novembro como Dia Nacional da Umbanda. A data faz referência ao dia em que essa religião teria surgido, no ano de 1908. Embora essa versão não seja unânime entre as federações umbandistas, foi a proposta que prevaleceu durante a 1ª Convenção Anual do Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda (CONDU), realizada em 1976, com a representação de 25 federações de todo o país.

15 de Novembro de 1908 foi, segundo registros do CONDU, o dia em que o médium Zélio Fernandino de Moraes incorporou, pela primeira vez, numa sessão da Federação Espírita, em Niterói, a entidade que estabeleceu o novo culto: o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Esse novo culto teria como função conceder espaço para que os espíritos de índios e de pretos pudessem dar sua mensagem e cumprir sua missão, o que aparentemente não lhes era permitido nos templos espíritas, já que seus videntes se recusavam a atender a manifestação de espíritos que consideravam atrasados, tendo em vista o “grau de cultura que tiveram quando encarnados” (essa justificativa apenas revela a transposição das hierarquias sociais e discriminações do plano físico para o plano espiritual).

O Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se novamente no dia seguinte e, por meio de Pai Zélio de Moraes, procedeu a uma série de trabalhos espirituais bem sucedidos – o que lhe possibilitou arrebanhar seguidores – e estabeleceu normas que delineariam a nova religião, dedicada exclusivamente à caridade espiritual, através de passes e curas de enfermos: os médiuns deveriam estar uniformizados de branco; os cânticos não teriam acompanhamento de atabaques nem palmas ritmadas (o que não é uma realidade de muitos centros de umbanda); seus preceitos seriam baseados apenas em água, amaci de ervas, flores e pemba, não sendo permitido o sacrifício de animais; e o atendimento seria totalmente gratuito, devendo os templos manterem-se pelas doações dos associados.

A Umbanda tem como mentores os Caboclos e os Pretos-Velhos e adota para si o princípio de ser uma religião voltada pra os humildes, símbolo da igualdade que deve existir entre todos, estejam encarnados ou desencarnados.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As casas ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Pai Zélio esteve vivo, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.

Atualmente, a Umbanda é constituída por várias vertentes, consequência direta do modo como as características das religiões formadoras foram absorvidas por ela, bem como por conta das interações desenvolvidas com outras expressões de nossa religiosidade em sua expansão pelo Brasil. São algumas delas: Umbanda Kardecista (Umbanda Branca), Umbanda Popular, Umbanda Traçada, Umbandaime, Umbanda Esotérica e Umbanda Eclética Maior.

O nome Umbanda, vale destacar, teria sido dado pelo próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas. Porém, até hoje, historiadores divergem quanto à sua origem, mas a maioria crê que ela decorra do vocábulo “m’banda”, usada pelas tribos Quimbundo, da África, para designar os seus sacerdotes, e que seria também uma palavra sagrada dos índios tupis. Portanto, uma tradução livre indicaria “Tenda de Sacerdotes”.

De |novembro 13th, 2015|Destaque, Notícia|Comentários desativados em Dia Nacional da Umbanda