Foi celebrado o primeiro casamento coletivo na comunidade quilombola de Mumbaça em Alagoas.

Por Emiliane Saraiva Neves

A  Associação Clube dos Jovens Senhor dos Pobres realizou o primeiro casamento religioso coletivo da comunidade quilombola Mumbaça, no dia 29 de janeiro. A celebração aconteceu no Santuário de Senhor dos Pobres em Traipu, Alagoas. O momento foi apoiado pela Arquidiocese de Penedo. Foram contemplados com a cerimônia religiosa dezoito casais de Mumbaça e 25 do quilombo Belo Horizonte.

Semelhantemente, em 2016 também ocorreu um casamento coletivo ecumênico em Alagoas voltado para comunidades remanescentes de quilombo. Compareceram ao casamento 120 casais das comunidades de Jussara, Freluz, Mariana e Muquém de União de Palmares. O casamento, que  também teve efeito civil, foi oficializado por sacerdotes do candomblé e pastores de igrejas evangélicas.

Casamento celebrado no Santuário de Senhor dos Pobres em Traipu/AL

Manoel Oliveira – um dos representantes da comunidade, mais conhecido como Bié – relatou como foi importante esse apoio da igreja, visto que vários casais de Mumbaça tinham o desejo de regularizar o matrimônio, mas não tinham condições financeiras para realizar a solenidade. A maioria dos moradores de Mumbaça é católica e alguns frequentam igrejas evangélicas.

Eles comemoram entre 23 de janeiro e 02 de fevereiro a Festa de Nosso Senhor dos Pobres, padroeiro da cidade. Essa festividade movimenta o comércio e o turismo da região, pois vem visitantes de todos os lugares, inclusive estrangeiros. Segundo contam, existe uma fonte de água sagrada onde os romeiros vão tomar banho e pegar um pouco para levar para casa. Acreditam que a água tem poder de cura e utilizam como água benta.

História da Comunidade Remanescente de Quilombo Mumbaça

Certificada no dia 27 de dezembro de 2010 pela Fundação Cultural Palmares como Comunidade Remanescente de Quilombo (CRQ’s), o quilombo Mumbaça tem um legado histórico muito rico. Segundo o relato dos seus moradores mais velhos, a origem a comunidade remete ao final do século XIX. Contam que a região se tornou refúgio de negros que conseguiam fugir do trabalho escravo provavelmente das lavouras de café, arroz, fumo e mandioca comuns naquela época.

Dizem que a origem do nome Mumbaça é africana e foi posto pelos homens negros. Outra explicação é que o nome se deu por causa da abundância na localidade uma árvore típica da região. Outros explicam que Mumbaça também era o sobrenome de dois irmãos que se instalaram na região. Os irmãos se desentenderam e foram morar em serras diferentes. Uma das serras ficou com o nome de Mumbaça.

Manoel Oliveira relatou que as mulheres negras da comunidade tornavam-se “amas” ou mães de leite dos bebês cujas mães não podiam amamentar. Segundo Manoel essa cultura ainda pode ser encontrada lá. A maioria da comunidade vive da agricultura e do artesanato. Eles dependem do rio São Francisco para a pesca. Pescam principalmente a piranha, o piau, o tambaqui e a piaba.

 

De |março 3rd, 2017|Notícia, Secundária, Sem categoria|Comments Off on Foi celebrado o primeiro casamento coletivo na comunidade quilombola de Mumbaça em Alagoas.