Acervo da Palmares: Saindo dos anos 70 e chegando ao século 21

No antigo acervo não são encontrados estudos e biografias sobre os grandes nomes da cultura negra do Brasil e do mundo

Desde 2020, sob a liderança do presidente Sérgio Camargo, a Fundação Cultural Palmares (FCP) começou a cumprir sua missão institucional, que é a de apoiar  a integração cultural, social, econômica e  política do negro, além de fomentar a cultura de temática negra.

O primeiro Relatório Público da Fundação, produzido pelo Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra – CNIRC (veja aqui), constatou que a Palmares não cumpria sua missão institucional, mas reproduzia uma mentalidade revolucionária e alheia à realidade do negro, calcada em um acervo estacionado nos anos 70.

 Biblioteca da Palmares: pela primeira vez, todos os livros fora de caixas

Constatou-se também que no próprio site da Instituição as grandes figuras negras do nosso país foram ignoradas ou subestimadas. Quando é digitada a palavra Zumbi no site da Fundação, aparecem 557 resultados, entretanto, quando se digita o nome do primeiro presidente mulato do Brasil, Nilo Peçanha, surgem apenas cinco resultados. E se o cidadão brasileiro desejar conhecer a história de Aleijadinho, encontrará apenas 6 resultados, e em nenhum dos seis textos ganhará a compreensão de quem de fato foi esse grande artista barroco.

No acervo bibliográfico de oito mil livros, não são encontrados estudos e biografias sobre Machado de Assis, e nem livros sobre os irmãos Rebouças. Tampouco se encontram obras do progressista Cornel West e do conservador Thomas Sowell, os dois maiores intelectuais negros ainda em atividade. Por outro lado, o acervo abarca mais de mil títulos de e sobre o revolucionário socialista Karl Marx. E para cada livro de um autor negro há dezenas sobre guerrilha, táticas revolucionárias e militâncias.

Detalhe do acervo antigo: desviante da Missão Institucional

No acervo iconográfico, o cenário também é anticultural: não há nada de Cruz e Souza; nada dos irmãos Rebouças; nada de Luís Gama e nada de José do Patrocínio. Mas há milhares de imagens de militância, de negros na pobreza e em situações deprimentes.

 O limitado acervo da Palmares, construído em trinta anos, demonstra que nunca foi pelo negro e nem pela cultura. Foi tudo pela militância marxista. Diante disso, é esta realidade que a atual gestão está mudando, com a ampliação do acervo e com a construção do CEMA, o Centro de Estudos Machado de Assis.

Corredor da atual Palmares: exposição do acervo

A Palmares, apesar de todos os ataques que sofre diariamente, segue em frente, para finalmente chegar no século 21, representando o negro em toda a sua amplitude e dignidade.

Fundação Cultural Palmares.

De |setembro 20th, 2021|Banner, Destaque, Notícia|Comments Off on Acervo da Palmares: Saindo dos anos 70 e chegando ao século 21